quinta-feira, 30 de abril de 2020

"Mulher-Maravilha" (2017) a rebobinar

Aquilo a que outrora chamámos de DCEU teve uma história de produção e lançamentos bastante turbulenta. Desde problemas com vários cortes e edições de filmes (LANCEM A SNYDER CUT, POR FAVOR!) a outros que foram muito rebaixados pela crítica, estes nunca conseguiram arranjar maneira de igualar a concorrência, mesmo que, a nível de bilheteira, não tenham sido muito horríveis. No entanto, no meio desse comboio, houve um filme que se destacou, e escapou à regra meio conhecida dos filmes da DCEU, que deu rumo aos filmes que, agora, têm uma imensa diferença no que diz respeito a qualidade (não desvalorizando aqueles que vêm para trás, pois sou fã tanto de Man of Steel como de Batman v Superman – o Justice League pode apodrecer no inferno do Darkseid). Esse filme também acabou por ser o primeiro desta heroína da DC Comics, uma que decidiu ser adaptada no meio de tantos super-heróis, onde muitos temiam que um filme sobre uma mulher com super-poderes nunca teria sucesso. Mas enganaram-se, pois até a Marvel foi logo atrás e tentou capitalizar com isso, e até mesmo eles falharam no que só esta conseguiu fazer, mesmo com alguns pequenos problemas: uma maravilha de filme.


Posso começar por dizer que Gal Gadot, a protagonista, estava grávida na altura em que o filme estava a ser filmado e esforçou-se bastante para demonstrar que, apesar das inúmeras críticas que recebeu, é a Mulher-Maravilha que precisamos e devíamos querer, apesar de muitos não quererem admitir na altura. Já em Batman v Superman tiveram um vislumbre do que ela era capaz com o papel, por isso era fácil de imaginar aquilo de que seria capaz num filme a solo.

Os motivos da personagem estão bem visíveis desde o primeiro momento em que aparece no ecrã e, ao longo da narrativa, à medida que vai descobrindo quem ela realmente é, e qual o seu dever no mundo, conseguimos ver o seu progresso e evolução como Mulher-Maravilha.


Também não posso deixar de falar de Steve Trevor, o primeiro homem a chegar à ilha das guerreiras Amazonas, interpretado por Chris Pine. Neste filme parece que Chris Pine faz de... ele mesmo, se é que é possível entender. Ele tem aquela piada do costume, principalmente quando há aqueles “awkward moments” entre ele e Gal (que não são nada forçados, mais parecem improvisados, mostrando uma boa química entre ambos), mas não é o “ladiesman” que aparenta ser. É alguém mais rígido que está mais preocupado em cumprir o seu dever, que é o ideal tendo em conta o tempo em que se passa o filme. Há muitas outras personagens no filme interpretadas por grandes nomes de Hollywood, como Connie Nielsen, David Thewlis e Robin Wright, mas nenhuma delas vale a pena ser mencionada pois não são assim tão memoráveis, na minha opinião. 

Podia falar do vilão, claro, mas eu não quero dar nenhum spoiler a quem ainda não viu o filme (o que ainda é muito provável, mesmo tendo saído há três anos). Posso dizer que não é o habitual vilão descartável que a maior parte dos filmes da MCU normalmente tem, mas não implica que seja um muito memorável (onde é que estão os vilões de jeito ultimamente?)…


Neste ponto o argumento falhou um bocadinho, mas os visuais e realização de Patty Jenkins são o suficiente para deixar escapar algumas coisas. Nunca tendo realizado um filme a esta escala antes, é de admirar o que foi conseguido pela mesma, e o carinho com que esta tomou as rédeas tanto pelas personagens, principalmente os protagonistas, como pela ação bem realizada, que não sofre de muitos cortes rápidos para esconder os duplos, ou pelas paisagens, tanto acinzentadas pela guerra ou cidade, como pelas mais exóticas.

Dos aspetos técnicos, o que me deixou mais a desejar foi especialmente a edição. Eu achei que, de início, o filme parecia mal editado, como se houvesse alguma coisa em falta por ali, ou ainda erros de continuidade (até mesmo perto do fim). 


Neste género de filmes não se pode deixar de falar dos efeitos especiais. Houve uma cena logo no início que tinha um óbvio ecrã verde atrás da nossa personagem principal... Mas, à medida que o filme foi progredindo, os efeitos especiais começaram a ser usados ainda menos, o que eu acho que foi uma boa opção por parte da realização. Invés de usarem vezes e vezes sem conta, usaram apenas quando necessário. Sim, temos um final todo bombástico, e aí sim, posso dizer que esses efeitos gerados por computador foram bem aproveitados, na maior parte. 

A banda sonora, que é algo que estou sempre atento, desta vez foi composta por Rupert Gregson-Williams, invés de Junkie XL (e Hans Zimmer), compositores do tema da Mulher Maravilha (“Is She With You?”). Apesar de a ausência dos dois nesta BSO ser clara, ela continua a transmitir a sensação épica que precisa, como se podia esperar do filme, apesar de algumas vezes ser abafada pelas cenas de ação. Mas é bastante versátil, conseguindo mudar as emoções entre as melodias facilmente. 


Este filme acabou por mudar o género de heróis num todo quando foi lançado, o que fez com que alguns estúdios, nomeadamente a Marvel, fossem atrás do êxito, o que é totalmente normal. E fez com que o próprio estúdio confiasse ainda mais nos seus realizadores, dando-lhes a total liberdade de expressar as suas ideias, o que começou a favorecer imenso os filmes da DC de uma maneira inesperada, e, só aí, é de louvor, pois era o puxão de orelhas que a Warner Bros. precisava.

Gal Gadot faz hoje 35 anos e, por isso, recordámos aqui a nossa opinião (que estava em arquivo) do filme que a tornou mais célebre. Parabéns, Gal! 🎉🥳
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

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