sexta-feira, 3 de abril de 2020

"O Apelo Selvagem" em análise

O mais recente filme de Chris Sanders, realizador do clássico de animação da Disney Lilo & Stitch (2002) e de Como Treinares o Teu Dragão (2010) e uma das mentes por detrás de A Bela e o Monstro (1991), Aladdin (1992), O Rei Leão (1994) e Mulan (1998), chegou aos cinemas no final de Fevereiro, não com grandes expectativas. O Apelo Selvagem (The Call of The Wild no nome original), baseado na obra literária de Jack London e com argumento de Michael Green, apresenta-nos Buck, um cão de família que depois de ser levado para o Ártico passa a ter uma vida completamente diferente. 


O “maior problema” deste filme ficou logo definido à partida: o cão não é real, é feito em CGI, e isso soa desnecessário, tendo em conta que, por muito realista que possa parecer, os seus movimentos nem sempre são naturais. Será que Buck não podia ter sido interpretado por um cão real, bem treinado? E para além do nosso protagonista, sente-se que muitas partes do filme são só isso, feitas a computador. Falta-lhes um toque mais autêntico da natureza. 

Admito que li o livro de Jack London há alguns anos e não o considerei memorável, motivo pelo qual não me lembrava da história. No entanto, ao ver o filme pareceu-me que o modo como Buck passava de uma personagem para outra era forçado. A primeira parte, onde temos Omar Sy a interpretar uma espécie de carteiro, torna-se até mais interessante – na minha opinião, é claro – que os momentos em que temos John Thornton, interpretado por Harrison Ford, a tornar-se “dono” do cão. Isto porque nessa primeira parte temos mais ação, que depois se perde com o avanço da narrativa, até quando era necessária – por exemplo, quando o “vilão” interpretado por Dan Stevens chega à cabana de John Thornton. 


O Apelo Selvagem não é um filme muito equilibrado e, acima de tudo, não é capaz de definir o seu público alvo. Se em alguns momentos parece ser mais destinado às crianças, noutros assume um pacing demasiado lento, incapaz de as segurar ao ecrã. Ainda assim, não posso negar que tem algumas sequências interessantes, que fazem com que seja um filme que vemos bem, mas que rapidamente esquecemos.

5/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

2 comentários:

  1. Era para ter ido ver este filme ao cinema, ainda bem que não fui, posso muito bem ver em casa quando ele estiver disponivel.
    Quando vi o trailer também me perguntei porque é que não fizeram o filme com um cão real...acho que teria tido mais sucesso.

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    1. Sem dúvida... Se filmes mais antigos deste género usaram cães reais, não se entende esta mudança, que não é para melhor.

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