segunda-feira, 13 de abril de 2020

"O Caminho de Volta" em análise

O filme sobre o qual falamos hoje é mais um daqueles que chegou aos cinemas em vésperas de quarentena. Neste caso, foi mesmo um dia antes de a Companhia Cinéfila ter começado o seu isolamento opcional. No entanto, era um filme que aguardávamos ansiosamente, essencialmente por trazer o regresso de Ben Affleck ao grande ecrã, num papel que parecia assentar-lhe que nem uma luva, numa nova parceria com Gavin O’Connor, o realizador com que já tinha trabalhado anteriormente no filme The Accountant - Acerto de Contas (2016), também por ele protagonizado. 


A premissa introduz um homem que era uma estrela do basquetebol, mas que se viu obrigado a afastar-se do desporto pelas circunstâncias da vida. Anos mais tarde, é convidado para treinar uma equipa de “falhados” (assim como são descritos). Esta é a sua hipótese de redenção, o caminho de volta para a vida que tinha tido e que, entretanto, tinha mudado por completo. 

A narrativa é alternada, explorando o passado e o presente, variando assim também entre momentos mais emocionais e outros de maior adrenalina que se focam nos jogos da equipa. Existe um equilíbrio entre ambos, que contribui para que entendamos as motivações do protagonista. Infelizmente, sente-se apenas que o passado demora demasiado tempo a ser apresentado, o que ao início pode parecer confuso, pois temos as personagens a dizer algo que depois será contradito. 

Ben Affleck regressa em força com este papel. A sua personagem é um homem que está no fundo do poço, que tanto se apresenta num estado energético, a querer motivar a sua equipa, como nos minutos seguintes está bêbedo a invadir uma casa por engano. Parece estar numa corda bamba de emoções, cujas alterações dramáticas são facilmente sentidas pelo público. Percebemos que o protagonista sofre pelos motivos que vão sendo apresentados e este é um filme que pretende puxar os sentimentos mais sensíveis do seu público. Trata-se de um apelo ao lado bom da vida, um alerta. No entanto, a história soa tão pessoal que se calhar só conseguirá emocionar mesmo aqueles que se encontrarem numa situação idêntica. 


Infelizmente, apesar de ser uma boa produção, carregada de performances extraordinárias e com uma história coerente, O Caminho de Volta peca por não trazer nada de novo no seu género. Muitas vezes soa até familiar e previsível, sem grandes surpresas. Não deixa, claro, de valer a pena vê-lo, mas essencialmente pela grande performance de Ben Affleck e pela honestidade com que trata os seus temas.

6/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes, escreve cartas e coleciona figuras e outras tralhas! No que toca à Sétima Arte, desde criança que fico encantada com as animações, mas os grandes clássicos também me conquistaram o coração. Forrest Gump, O Resgate do Soldado Ryan e Cinema Paraíso são alguns dos meus favoritos. E é impossível esquecer a trilogia de O Senhor dos Anéis!

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