quarta-feira, 8 de abril de 2020

"O Caso de Richard Jewell" em análise

Deste lado adoramos ir ao Cinema, mas nem sempre conseguimos acompanhar todas as novidades e muitas vezes deixamos para trás filmes que queríamos ver, mas que estrearam ao mesmo tempo que outros que nos chamaram mais à atenção. Enquanto admiradora da obra de Clint Eastwood (um dos meus filmes favoritos de sempre é por ele realizado), admito que queria ver o seu último quando chegou aos cinemas, mas tal não se sucedeu e só agora é que vi, no aconchego do sofá. Ainda assim, mais vale tarde do que nunca e hoje trago algumas palavras sobre O Caso de Richard Jewell


Baseado na história verídica de Richard Jewell, o filme acompanha um segurança americano que salva milhares de vidas ao detetar antecipadamente uma bomba, durante as Olimpíadas de 1996. No entanto, é difamado pelos jornalistas, que falsamente apontam que ele era o terrorista e que esta foi apenas uma ação para obter mais atenção e ser declamado herói. 

No último filme de Clint Eastwood, Correio de Droga (2018), voltámos a ter a personagem tão característica dos seus filmes: o homem idoso (muitas vezes por ele interpretado) que tem uma certa abominação pelos jovens, estrangeiros e que, acima de tudo, considera os avanços tecnológicos desnecessários. A Internet é o seu pior inimigo, que este refere várias vezes, assim como o facto de vivermos agarrados aos telemóveis. É um ponto de vista talvez um pouco antiquado, mas tem estado presente nos últimos filmes de Eastwood. Agora, em O Caso de Richard Jewell, temos uma história passada nos anos 80, o que torna mais difícil a tarefa de criticar a evolução, até porque desta vez o protagonista não é um idoso. No entanto, mesmo assim, o ponto de vista do realizador continua presente, mas na figura de Richard Jewell. Não é difícil encaixar a sua voz nesta personagem, que também não é propriamente um adepto das tecnologias. Assim sendo, continuamos a ter uma figura a quem Eastwood dá a voz: vemos Richard a levantar ao de cima estereótipos relacionados com os jovens (até a suspeitar deles simplesmente por serem jovens) e também percebemos que não confia muito em aparelhos mais modernos. 


A história é, na sua maioria, apresentada no ponto de vista de Richard, mas por vezes foca-se nas personagens secundárias, ampliando o nosso plano de visão. O advogado de Richard, Watson Bryant (interpretado por Sam Rockwell), tem a função de alertar para as maiores injustiças do caso; a mãe (Kathy Bates) é a figura maternal que vive em constante preocupação, por saber que o filho não fez nada de mal; a jornalista Kathy Scruggs (Olivia Wilde) é a mulher de garras de fora, pronta para lançar qualquer notícia, por muito falsa que seja, apenas para atingir o sucesso. E todos estes, por muito complexos que sejam, distanciam-se totalmente da persona de Richard Jewell, que parece obstante de tudo o que lhe acontece, sempre pronto para ajudar, mesmo quando tem as pistolas para ele apontadas. 

O filme faz um excelente trabalho a alertar para o poder das tão faladas fake news. O facto de começar por introduzir Richard, de modo a que o espectador perceba imediatamente que tudo o que lhe vai acontecer é uma injustiça, contribui para entendermos as consequências que uma notícia falsa pode ter. Vemos um herói a transformar-se num vilão, apenas à custa de palavras escritas por alguém que só queria lucrar com a miséria de outra pessoa. 


Não se pode dizer que o tema ou a realização de O Caso de Richard Jewell são propriamente novidade. Na verdade, o filme sente-se até um pouco longo, pois o seu tema parece já ter surgido demasiadas vezes no grande ecrã. Ainda assim, Clint Eastwood consegue apresentar um ponto de vista entusiasmante, especialmente ao focar-se no seu protagonista, quando este ruma contra uma grande massa.

6/10
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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