quarta-feira, 15 de abril de 2020

Relembrar "Titanic", 108 anos depois do naufrágio...

É difícil crescer no século XXI sem nunca ter ouvido uma única menção de Titanic (1997). Eu que o diga, que, quando nasci, este filme ainda estava nos cinemas, tornando-se, na altura, o filme mais visto e  rentável de todos os tempos, sendo o primeiro a fazer mais de 1 bilião na bilheteira – até que James Cameron, mais de uma década depois, fez outro filme para passar este sucesso, tornando-o, em 2012, com o relançamento 3D de Titanic, o primeiro e único realizador a ter dois filmes que tinham rendido mais de 2 biliões. E sem esquecer, claro, o marco histórico dos Oscars, tornando-se o segundo filme em três a ganhar onze estatuetas douradas, incluindo a de Melhor Filme.


E, mesmo que não crescesse passando constantemente ao lado da VHS com mais de três horas de fita no corredor da casa, havia certamente ouvido a mítica música de Celine Dion ou na rádio ou simplesmente a passar num canal de música que estivesse na televisão – isto se não fosse o filme por inteiro, o que também se tornou bastante normal.

Mas, porquê? É um romance de três horas com um navio a afundar pelo meio – que acontece que é um dos casos mais conhecidos de naufrágios –, certamente há outros filmes com estruturas ou narrativas semelhantes. Aliás, até durante a produção do mesmo, não se acreditava que o filme seria o sucesso que foi, sendo que a produção foi meio problemática e houve várias alturas em que o orçamento foi mais alto do que a 20th Century Fox tencionava, pois até estes esperavam que fosse uma espécie de flop. Honestamente parece-me que deve ser um caso inexplicável e que ninguém conseguia antecipar.


Olhemos para o filme. Tal como disse acima, este segue uma estrutura normal de um romance, mas muda o cenário para um menos habitual. A maneira como as coisas acontecem também não são nada de extraordinário. Como Cameron disse aos estúdios “é um Romeu e Julieta mas no Titanic”. E é isso que se vê, principalmente: duas personagens de dois lados opostos da sociedade, onde não têm qualquer hipótese de acabar juntos, se não são julgados por uns ou por outros, acabando com num trágico final. Já vimos isso acontecer inúmeras vezes, por isso o que há de diferente? É o carisma das personagens e as suas interações ao longo do filme? São as prestações brilhantes de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, que, na altura, eram nomes quase desconhecidos para os média? Havia um elenco de luxo por detrás desses nomes de cartaz, como Kathy Bates e Bill Paxton, mas mal eram mencionados no marketing, se não o próprio nome do realizador que era conhecido principalmente pelos filmes do Terminator, por isso… porquê? Podia também ser qualquer barco ou navio existente à face da Terra, pois este não é o único que alguma vez afundou, no entanto, este é o único que nos lembramos quando o tema vem ao de cima.

Também escrevi acima que o filme saiu borda fora no que diz respeito ao orçamento. Foi construído um navio modelado à volta do Titanic original de propósito para as filmagens, que também constavam de imagens de arquivo que o próprio Cameron tinha gravado pouco tempo antes de começar a fazer este filme – pois este fascina-se com histórias de barcos e navios afundados, e tinha feito várias pesquisas sobre o Titanic em específico. E, de facto, há de se louvar todo o trabalho técnico colocado em volta do filme: seja a parte modelada e prática à parte mais computorizada. A cinematografia do filme pode ser tanto única como simples ao mesmo tempo. Tem imagens que ficaram fixas nas nossas mentes, mesmo que não pareçam ter nada de especial que as destaque por completo. E com isso e a mistura e edição de som, que faz com que tudo até se faça parecer um épico. E, claro, sem esquecer a banda sonora composta pelo falecido James Horner, que deve ser o CD com músicas compostas para um filme mais vendido de sempre, se não foi também por causa do tema cantado por Celine Dion.


E, agora, olhando para tudo, voltamos a perguntar o porquê de o filme ter tido o sucesso tanto de bilheteiras como de crítica, tendo em especial atenção que, durante a sua produção, muitos apenas o chamavam de ambicioso mas que cairia por terra como um flop enorme. Acho que, no fim de contas, a resposta está no coração e empenho que Cameron colocou neste seu projeto de sonho. Não vou dizer que qualquer outro filme não tem essas coisas, pois acredito que toda a gente tenta colocar um pouco de si mesmo naquilo que tenta fazer e dar aos outros. Muitos abdicam de tudo o que têm para tal, como Cameron fez com o Terminator original, passando vários dias a comer mais nada senão hambúrgueres do McDonald’s só para ter dinheiro suficiente para pagar à equipa de produção. Mas aqui todos os pontos alinham-se e acabaram por apelar a todo o mundo. Seja pelo típico romance trágico, pela história de como o magnífico Titanic foi parar ao fundo do Oceano, pelas diferenças sociais e económicas naquele espaço e tempo, pela grandiosidade e escala ambiciosa do projeto que tinha de tudo para ser um fracasso, o sonho de alguém para tornar algo que sempre quis apresentável para uma audiência, e, claro, pelo amor ao cinema, que é o que no fim nos leva a todos a locais como esta página. Foi então com toda essa valorização em conta que o Titanic se tornou no filme que hoje todos nós conhecemos.
SOBRE O AUTOR

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

8 comentários:

  1. Um dos melhores filmes alguma vez feito! Adorei a publicação.

    Beijinhos,
    Ella Morgan
    https://splitting-soul.blogspot.com/
    Instagram (@ellamorgan17)
    Twitter (@Ella_Morgan2018)

    ResponderEliminar
  2. Agora o naufrágio é outro.
    E o capitão do navio também manda a orquestra tocar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. No filme a orquestra também quis continuar a tocar no meio do caos, na sua despedida ...

      Eliminar
  3. Já perdi a conta às vezes que vi este filme, meu Deus :p
    Beijinho

    ResponderEliminar