quinta-feira, 2 de abril de 2020

"Terminal de Aeroporto" (2004) a rebobinar

Hoje falamos sobre um clássico de Steven Spielberg, com argumento de Sacha Gervasi e Jeff Nathanson, que por incrível que pareça não foi lá muito bem recebido pela crítica quando foi lançado em 2004. Terminal de Aeroporto (The Terminal, no nome original), que se estende também a um dos títulos de referência da carreira de Tom Hanks, é um filme equilibrado, que mistura as doses certas de comédia, drama, romance e aventura. 


Tom Hanks desempenha Viktor Navorski, um turista da Europa de Leste que se vê impossibilitado de continuar a sua viagem para Nova Iorque porque o seu país sofreu um duro golpe, que fez com que legalmente deixasse de existir, durante o seu voo. Chegado ao aeroporto, com um passaporte “de lado nenhum”, resta-lhe esperar, sem poder sair das portas, pois se o fizesse estaria a cometer um crime. Ao longo de vários meses, Navorski começa a improvisar, de modo a conseguir ter uma vida minimamente normal confinada ao espaço do aeroporto. 

Os momentos iniciais do filme são pura comédia, com Navorski, que pouco de inglês entendia, a chegar ao aeroporto e a ser levado para uma sala onde tentam contar-lhe os motivos pelo qual ele terá de esperar. “Conhece pessoas em Nova Iorque?”, “Sim”, “Quem?”, “Sim”. A falta de vocabulário de Navorski leva a uma das conversas mais cómicas da história do Cinema. O melhor é quando este ouve a palavra “Krakozhia” e grita com entusiasmo, mostrando o seu amor pelo país natal. Em contrapartida, a tensão aumenta quando este vê nas televisões que houve um problema em Krakozhia. É aí que o desempenho de Tom Hanks atinge uma naturalidade imensa, onde toda a sua emoção é transmitida pelas suas ações rápidas e desesperadas. 


De facto, Tom Hanks é a estrela do filme, ao tornar-se por completo neste Vitor Navorski, com sotaque incluído. No entanto, dá-se umaespecial atenção também às personagens secundárias, dedicando algum tempo a todos eles. Começamos com a hospedeira Amelia Warren (interpretada por Catherine Zeta-Jones), uma mulher pouco feliz que se conquista com facilidade, que vê em Viktor uma espécie de “amigo”, que a espera sempre, por obra do destino, naquele aeroporto. A história de ambos não é propriamente feliz, mas é mesmo obra do acaso, um sinal de que não devemos fazer grandes planos, pois podem sair furados. Depois temos o trio Enrique Cruz (Diego Luna), Mulroy (Chi McBridge) e Guptan Rajan (Kumar Pallana); todos muito diferentes, mas com uma coisa em comum: passam totalmente despercebidos nas multidões do aeroporto. Enrique Cruz é o protagonista da história de amor mais bela (a única que resulta, de facto): depois de anos apaixonado pela agente Dolores Torres, a mulher responsável por confirmar ou negar os vistos (interpretada por Zoe Saldana), com a ajuda de Navorski consegue finalmente declarar-se. Guptan Rajan, por sua vez, um homem das limpezas que se diverte ao ver as pessoas a cair depois de ignorarem os sinais de piso molhado, tem uma história infeliz: tinha uma loja na Índia, mas todos os dias ia lá um polícia que dizia que ele devia dinheiro, até que certo dia Rajan esfaqueou-o e fugiu para a América, onde ninguém dá pela sua presença e por isso ninguém o prende. Depois, claro, temos uma espécie de “vilão”, que por algum motivo ganha um certo ódio a Navorski: o chefe do aeroporto, genialmente interpretado por Stanley Tucci. As tentativas falhadas deste a tramar Navorski, nomeadamente a sequência da câmara de vigilância, também aumentam o tom cómico do filme. 

Para além das personagens, existem alguns elementos que conseguem manter a nossa curiosidade em alerta até ao final. Por exemplo, a lata dos amendoins que Navorski carrega sempre consigo, que rapidamente percebemos que não tem amendoins. É só depois de uma grande espera que ficamos a descobrir o verdadeiro motivo que leva Navorski a Nova Iorque, numa “despedida” emocionante, que nos leva a admirar ainda mais o carácter humano deste protagonista. E o segredo escondido dentro da lata!


Esta é uma sugestão leve, que ainda assim pode causar algumas lágrimas, mas de felicidade! É um dos grandes desempenhos de Tom Hanks, numa história cativante, que nos leva a admirar todas as personagens que nos são apresentadas. Vale muito a pena ver, nem que seja para refletir que este homem foi obrigado a viver nove meses num aeroporto e nós, ao menos, temos o conforto das nossas casas! 😉
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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