terça-feira, 14 de abril de 2020

"Trolls: World Tour" em análise

Independentemente de tudo o que possa vir aqui a escrever, uma coisa é certa: Trolls: World Tour está a fazer história, ao ter a sua estreia mundial a ser feita na internet, tendo em conta a atual situação de pandemia que estamos a viver. Só por aqui, parece-me que dificilmente terá o sucesso do primeiro filme em 2016, que foi um recordista de bilheteira, apesar de não ter agradado muita gente – o seu público-alvo terá, certamente, saído do cinema entretido. Ora, agora não vou mentir: este é o filme que eu estava a precisar neste momento, por toda a alegria que à partida iria transmitir. Mas será que para além da alegria tão marcante dos pequenos trolls há mais para oferecer? 


Desta vez, distanciamo-nos dos Bergens, que foram os sujeitos principais do primeiro filme e que aqui aparecem apenas durante meros segundos. Trolls: World Tour explicita que os trolls que tão bem conhecíamos são apenas uma parte dos que existem. São, na verdade, os trolls da Pop – o que explica a euforia com que tanto cantam os grandes êxitos Pop do ano de lançamento do filme. Poppy, a grande líder, percebe que existem comunidades de trolls dedicadas a seis géneros de música: Funk, Country, Techno, Clássica, Pop e Rock. Anos antes, cada comunidade recebeu uma corda que representa cada género musical e agora Barb, a rainha do Rock, procura reunir todas as cordas para dominar os trolls sob os ritmos do Rock

O argumento do filme parece ignorar por completo a mistura dos géneros musicais, tornando cada uma das comunidades num verdadeiro estereótipo, com destaque para a do Country e também para a do Rock – que, por algum motivo, tornou-se no estilo musical dos vilões. Se no início aceitamos esta visão, no final ficamos a pensar como é possível o filme terminar sem as tais misturas de géneros, mas enfim, que importa! Adiante...


A história parece perder-se nos impulsos musicais, quase como se fosse uma obrigação manter o público desperto. Entendo isto, tendo em conta que o filme é, assim como o primeiro, destinado a crianças. A dinâmica certamente vai mantê-las atentas e se calhar no final até ficarão a cantar. No entanto, sente-se um vazio e a determinado momento essa falha torna-se demasiado óbvia, quando temos as personagens todas em silêncio num momento um pouco mais triste. Recordam-se de no primeiro filme termos uma sequência em que todos os trolls ficam cinzentos por não estarem contentes? Aqui voltamos a ter a mesma façanha, mas porque a rainha Barb quase atingiu o seu objetivo. 

Outro problema no argumento é o facto de a protagonista Poppy parecer ignorar tudo o que lhe é dito. Eu sei que é uma comparação tonta, mas sabem quando nos filmes de terror dizem para o protagonista não fazer determinada coisa e este faz mesmo assim e depois tudo corre mal? Aqui é tal e qual. Poppy faz o que quer e apesar de muitas vezes fazer o errado parece não receber grandes reprimendas – o que só faz com que continue a fazer o que quer. 


Agora, não vou negar! A escolha de músicas deste filme agradou-me mais do que a do primeiro, essencialmente pela diversidade de géneros. É bom ouvir algum Rock num filme como este, ainda que seja apresentado como se fosse uma música quase satânica – um bocado exagerado, eu sei, mas a Barb é MÁ! 

Trolls: World Tour apresenta-se um pouco vazio em termos de história e demasiado simples no que toca à escolha das músicas, parecendo todas apenas estereótipos. Ainda assim, e acredito que é da influência da quarentena, não posso dizer que não me divertiu. É um filme leve, como seria suposto, alegre e extremamente colorido – quase parece vindo da Illumination e não da Dreamworks. Não é um filme memorável, nem bom, mas alegra… E acho que isso é o que uma pessoa mais quer neste momento, não é?

5/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes, escreve cartas e coleciona figuras e outras tralhas! No que toca à Sétima Arte, desde criança que fico encantada com as animações, mas os grandes clássicos também me conquistaram o coração. Forrest Gump, O Resgate do Soldado Ryan e Cinema Paraíso são alguns dos meus favoritos. E é impossível esquecer a trilogia de O Senhor dos Anéis!

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