domingo, 19 de abril de 2020

"Um Desastre de Artista" (2017) a rebobinar

Ora, se ontem demos os parabéns a um dos nossos realizadores favoritos, Edgar Wright, hoje celebramos o aniversário daquele que é um dos atores que consideramos ter um carisma original e muito próprio: James Franco, que faz 42 anos! A minha sugestão da sua carreira é um filme que lhe trouxe um maior destaque. Não, não estou a falar do 127 Horas (2010), mas bem podia ser! Na verdade, refiro-me a Um Desastre de Artista (2017), por ele realizado e protagonizado, com o irmão Dave Franco. 


Vamos começar por fazer uma curta viagem no tempo e para nos situarmos recuamos até 2003, o ano em que foi lançado aquele que é considerado um dos piores filmes de sempre (sobre o qual até já falámos aqui): The Room – escrito, realizado, produzido e protagonizado por Tommy Wiseau, um artista que queria sempre ser o mais original possível. The Room apresenta uma história simples sobre um homem, Johnny (interpretado pelo próprio Tommy Wiseau), que foi traído pela namorada, Lisa, que se apaixonou pelo seu melhor amigo, Mark. Logo por aqui percebemos que o argumento não é nada de especial, mas o que o marcou ainda mais negativamente foi a péssima representação de Wiseau. Na verdade, o facto de o filme ser tão mau fez com que este se tornasse numa espécie de objeto de culto e ainda atualmente, mais de dez anos depois, The Room é capaz de esgotar sessões em todo o mundo. 

Assim chegamos a The Disaster Artist, que conta precisamente a história que está por trás da criação de The Room. James Franco interpreta Tommy Wiseau e Dave veste a pele de Greg Sestero, o Mark do filme original. Tommy Wiseau e Greg Sestero são dois amigos que foram para Hollywood. Como não conseguiam arranjar empregos como atores, Tommy decidiu escrever um guião e fazer um filme com Greg. Para ajudar, Wiseau tinha uma conta recheada de dinheiro – que até hoje ninguém sabe de onde veio. 


A narrativa inicia-se com várias entrevistas a atores e realizadores que tão bem conhecemos e que ali mostram a sua admiração pelo The Room. Ou seja, logo o início é capaz de nos arrancar algumas gargalhadas. Mas é a partir do momento em que James Franco aparece pela primeira vez como Tommy Wiseau, a representar uma sequência do filme Um Elétrico Chamado Desejo (1951), que percebemos que estamos perante uma longa-metragem repleta de grandes interpretações. E, felizmente, ao contrário da sua inspiração, Um Desastre de Artista definitivamente não é um desastre. 

Todas as cenas mais memoráveis de The Room estão aqui presentes e fielmente imitadas. Mas o mais interessante são mesmo as cenas que mostram como foram os bastidores do filme original. Ver as repetidas tentativas falhadas de Tommy Wiseau a representar é pura e simplesmente hilariante – e neste aspeto temos de dar todo o mérito a James Franco. Ao longo do filme, também nos vão sendo apresentadas as reações a The Room e, no final, percebemos que The Disaster Artist não pretende apenas mostrar os pontos negativos da produção do filme, mas acima de tudo enaltecer a originalidade daquela grande produção! 


Este filme não desaponta os fãs de The Room (e admito que estou incluída neste grupo) e, para além disso, certamente vai ser do agrado mesmo daqueles que nunca tinham ouvido falar deste “grande artista” chamado Tommy Wiseau. Por sua vez, louva-se a interpretação dos irmãos Franco e a capacidade de James conseguir entregar uma réplica tão fiel de Tommy, nesta que é uma das suas melhores prestações de sempre.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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