quarta-feira, 1 de abril de 2020

Um mergulho na natureza com "O Lado Selvagem" (2007)

Em 2007, Sean Penn realizou O Lado Selvagem (Into the Wild, no nome original), inspirado no livro homónimo de Jon Krakauer sobre a história verídica de Christopher McCandless, um jovem que, depois de se licenciar, optou por viver a vida em plena comunhão com a natureza e sem grandes planos. Este filme é uma das nossas sugestões para hoje e fica aqui a nota de que vai ser transmitido às 21:15h no canal AXN Movies!


Aclamado pela crítica e um sucesso instantâneo entre o público, Into the Wild revelou-se um grande contributo para o cinema. O modo poético como Sean Penn captura a natureza e o imprevisível da vida de McCandless, misturando até um pouco de espiritualismo pelo meio, torna este filme memorável, tanto pela sua história como pela sua estética. Neste sentido, o cinematógrafo Eric Gautier também desempenhou um trabalho extraordinário ao apresentar planos capazes de transmitir toda a magnificência da natureza que a determinado momento rodeia o nosso protagonista, assim como algum receio derivado do inesperado. 

A narrativa apresenta-se em capítulos. Com um início em media res, começamos com o protagonista a encontrar o “autocarro mágico” onde viria a passar os seus últimos dias. De seguida seguem-se vários momentos, onde o passado e o presente são alternados. Ficamos a saber que Christopher McCandless está inserido num seio familiar complicado, onde à partida não há amor. Nota-se imediatamente que o jovem é diferente: não quer seguir os estudos, apesar de ter excelentes notas, e está longe de seguir as pisadas dos pais. É isso que o leva a distanciar-se em segredo e sem despedidas. Até chegar ao autocarro, vive grandes aventuras e conhece pessoas distintas, que o levam a perceber que “a felicidade é apenas real quando partilhada” (“happiness is only real when shared”). 


Os nomes dos capítulos, que à partida soam vulgares, carregam significados. Podem não acompanhar a vida de Christopher, como parece, mas acompanham a sua viagem de descoberta. 1 - My own birth, 2 - Adolescence, 3 - Manhood, 4 - Family e 5 - Getting of wisdom. Com destaque para o primeiro, que é o “nascimento” deste novo Chris que parte em viagem, para o o quarto, que apresenta as pessoas que foi conhecendo ao longo da viagem (a sua nova família) e para o último, em que primeiramente conhecemos um idoso, Ron Franz, um homem que já passou por muito na vida e que será quem leva o jovem até ao seu destino, onde encontrará o “autocarro mágico” e a sabedoria que tanto procurava. 

A genialidade do filme prolonga-se ainda para a banda sonora, com músicas originais de Eddie Vedder e composição de Michael Brook. As músicas encaixam-se na narrativa como um puzzle. Na verdade, estas ajudam a narrar a história, quando a voz-off – que vai soando ao longo do filme – da irmã de Chris, Carine, deixa de ser ouvida. Por fim, claro, é ainda de referir o poder da interpretação de Emile Hirsch, que, depois de já ter participado em vários filmes, conseguiu, finalmente, saltar para a ribalta com este Into the Wild


Sean Penn entrega neste filme uma visão bela da natureza, com um argumento cheio de sentimento, onde simples palavras conseguem ter mil emoções. O final pode soar agridoce, mas trata-se de uma história verídica, onde não há espaço para ficção. É um filme cru, mas uma lição de vida que vale muito a pena ver. “What if I were smiling and running into your arms? Would you see then what I see now?”.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

6 comentários:

  1. Sean Penn ficou tristemente célebre aqui em Macau.
    Fez caca da grossa com a companheira de então (Madonna)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Infelizmente, são duas personalidades um tanto controversas. A Madonna segue o mesmo caminho por cá. Não sei se sabe, mas viveu durante uns tempos em Lisboa e chamou à atenção por motivos não muito positivos!

      Eliminar
  2. Não faz muito tempo que vi esse filme e gostei muito.
    Tanto por ser uma história real e pela coragem do jovem.
    É exatamente como você disse "um filme cru, mas uma lição de vida que vale muito a pena ver".

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sinto que é daqueles filmes que ficam na nossa memória por um bom tempo!

      Eliminar
  3. Este filme é fenomenal e acho que o vou rever depois desta tua review :)
    Cheio de lições e a banda sonora, meu Deus, é dos meus filmes preferidos de sempreee!

    ResponderEliminar