quarta-feira, 20 de maio de 2020

"Animal Crossing: The Movie" (2006), o anime desconhecido

Eu bem sei que Animal Crossing tem sido um tema recorrente aqui no blogue, e desde já peço desculpa a quem não se interessa pelo jogo, mas hoje venho falar sobre o filme, que, ainda que não seja muito conhecido, acho que é uma boa recomendação para os fãs deste jogo! Refiro-me a Animal Crossing: The Movie (Dōbutsu no Mori), nunca lançado fora do Japão (ainda que seja possível encontrá-lo com dobragens em inglês e legendado), uma pequena animação com cerca de hora e meia que é a maneira ideal de conhecer a narrativa de Wild World, se não tiverem a oportunidade de experimentar este jogo da Nintendo DS


Este é um filme de 2006, ou seja, foi lançado na mesma altura que o próprio jogo e arrisco-me até a dizer que acompanhou o início daquele que viria a ser o vício para muitos – acredito que os jogos da Nintendo 64 (lançado apenas no Japão, com o nome Animal Forest) e da GameCube não conseguiram ter tanto impacto quanto este da DS e todos os que se seguiram. 

O argumento do filme acompanha a pequena Ai e a sua chegada à vila. Assim como no próprio jogo, esta aparece inicialmente no táxi de Kapp’n, o sapo. Aqui, ao contrário daqueles momentos de suspense inicial em Wild World, em que não sabemos como vai ser o visual da nossa personagem, temos logo um vislumbre da aparência de Ai, antes que esta saia do carro, em plena Town Hall. De seguida, claro, vemos a menina a falar com a pelicana Pelly, que refere logo a irmã Phyllis, e somos também recebidos pela velha tartaruga Tortimer, que geralmente aparece em eventos e cerimónias especiais.


Acompanhar estes momentos iniciais é interessante para quem jogou Wild World, pois é muito nostálgico, tais são as semelhanças. No entanto, arrisco-me a dizer que o que mais nos entusiasma é quando Ai se dirige para a Nook's Cranny pela primeira vez e vemos Tom Nook, que imediatamente a contrata para part-time. Se na DS pensamos: “bolas, então mas agora temos de trabalhar?”, neste filme a pobre Ai tem exatamente a mesma reação que nós, o que é engraçado. 

De seguida, somos apresentados a várias personagens do jogo, que a partir daqui viriam a ser ainda mais populares: são elas Rosie, Margie, Cesar, Cyrano, Whitney e Apollo, sendo que estes dois últimos são até apresentados como um casal, algo que já era sugerido nos jogos pelos seus diálogos. Ora, dito isto, normal é que este grupo de personagens se tenha tornado um sonho por realizar para muitos, especialmente agora que em New Horizons é possível, de um certo modo, escolher quem queremos a morar nas nossas ilhas. 


De resto, personagens como Blathers e Celeste, as irmãs Able, Saharah, o sacana do Redd e até Mr. Resetti (aquela toupeira maçadora que ninguém quer ver depois de desligar a consola sem guardar, na maioria das vezes sem querer) também têm os seus cameos. De destacar ainda a presença de Brewster, o pombo que tira cafés no Museu – e que é, na minha opinião, uma das personagens mais interessantes de Animal Crossing (e aquela de quem estou a sentir mais falta no jogo da Nintendo Switch) – e do músico famoso KK Slider, que aparece a dar um concerto em plena praça do Town Hall

Ainda que tenha uma narrativa distinta da do jogo, Animal Crossing: The Movie recorda momentos muito interessantes de Wild World e outros objetivos que o tornam tão especial. Por exemplo, no jogo temos de apanhar insetos, pescar e encontrar fósseis e frequentemente vemos as personagens do filme a fazer isso. Inclusive, algo que é quase um mito é também aqui representado: a passagem da gaivota Gulliver num OVNI, que raramente aparece – numa década de jogo, apenas consegui ver e acertar no OVNI uma vez. Ou seja, o filme representa um pouquinho de tudo o que o jogo tem para oferecer. 


No final, temos uma sequência festiva que reúne todas as diversas personagens e resume o espírito de Animal Crossing: a capacidade de entreajuda, a vontade de celebrar e de comunicar. É isto que torna este jogo tão especial e o facto de ser representado num ambiente de festa no filme deixa-nos com uma sensação de conforto. 

Não sendo perfeito, Animal Crossing: The Movie é uma experiência muito nostálgica para os fãs dos jogos, mas também o posso sugerir a quem nunca jogou, pois tenho a certeza de que irá despertar o vosso interesse. Acrescento ainda que está um novo filme nos planos, mas ainda sem grandes confirmações.
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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