domingo, 31 de maio de 2020

As nossas Curtas favoritas da MONSTRA 2020

Este ano, a seleção de curta-metragens em competição na MONSTRA está mais moderna do que nunca, apresentando problemas atuais, como bullying, racismo e a homofobia, acentuando realidades injustas, nomeadamente reformulando o papel das mulheres na sociedade, mas não deixando também de apresentar situações mais alegres, como as interações interpessoais e buscas individuais de conforto e felicidade. Houve de tudo um pouco, com filmes para todos os gostos: alguns mais experimentais e abstratos, outros mais definidos e diretos. Depois de vermos as cinco secções que integram a competição de Curtas da MONSTRA EM CASA, hoje trazemos uma lista com os cinco filmes de que mais gostámos.


1. O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto (2019) de Bruno Caetano. Sinopse: Numa cidade em que a natureza foi proibida, o pequeno crime de um homem simples desencadeia consequências inesperadas. 

Não posso esconder: este era, de todos os filmes em exibição, aquele que já me tinha despertado um maior interesse, talvez pela figura carismática do seu protagonista. Já me tinha cruzado com esta curta-metragem noutras publicações aqui no blogue e as suas marionetas têm uma simplicidade que me cativou de imediato. Ao ler a sinopse, fiquei ainda mais curiosa. Depois de o ver fiquei encantada!

A sensibilidade com que o protagonista é apresentado leva-nos a simpatizar com ele, tal como este simpatiza com uma pequena planta, numa realidade distópica em que a urbanização tomou o lugar da natureza, onde ter flores é crime. Aqui há lugar para também abordar a monotonia da vida de um trabalhador e as suas rotinas e ainda para recordar as coscuvilheiras dos bairros, que estão sempre à janela a tomar conta de tudo o que se passa. É uma curta-metragem muito bonita e direta. Gostava que fosse ainda mais explorada e que gerasse uma longa-metragem, pois adorei conhecer o Sr. Jacinto!


2. Mãe e Leite (2019) de Ami Lindholm. Sinopse: Uma comédia absurda sobre amamentar e a montanha russa emocional por que passa uma nova mãe. 

Este filme apresenta o papel da mulher, enquanto mãe e pessoa na sociedade, de uma forma crua, que pode parecer exagerada mas consegue ter um impacto assustador durante os seus minutos iniciais. Vemos uma mulher durante os primeiros tempos da vida do seu filho a aprender a lidar com a amamentação e com o cansaço. Vemos também as exigências dramáticas da sociedade e o modo como se reage ao nascimento de uma criança e se assume que a mulher tem de saber de imediato como reagir. Acima de tudo, vemos como a nossa protagonista aprende a lidar com estas situações e o apoio que lhe é dado, essencialmente pelo marido. No final, temos uma história bonita e emocional. 


3. Roughhouse (2018) de Jonathan Hodgson. Sinopse: Três amigos embarcam numa aventura numa cidade estranha. Quando um novo membro manipulador se junta ao grupo, a confiança entre os amigos é quebrada, o que acaba por ter consequências horríveis. 

Ninguém é feito de pedra e todos nós temos sentimentos, mesmo aqueles que se mostram mais fortes e que parecem ser indestrutíveis. Este filme é a prova disso!

Num grupo de amigos, um deles torna-se num autêntico saco de boxe, alvo de chacotas por parte dos outros, que exigem demasiado dele e que não entendem que está a passar por uma má fase. A história é direta, transmitida através duma animação brusca e cinzenta, que contribui para que entendamos o ambiente em que se situa. Visualmente, pode não ser uma das curta-metragens mais memoráveis em competição, mas tem uma história que nos deixa de olhos bem abertos para quem nos rodeia. 


4. Assim Mas Sem Ser Assim (2019) de Pedro Brito. Sinopse: Incentivado pelo pai, um rapaz lança-se na aventura de conhecer os vizinhos. 

Uma animação dinâmica e alegre, protagonizada por um jovem rapaz que está sempre em casa a jogar na sua consola. Depois de o pai lhe dizer para sair de casa, antes que se torne num misantropo, este vai em busca de novos conhecimentos, relacionados com quem mora na vizinhança. Sentimo-nos crianças ao ver esta curta-metragem e ficamos com vontade de partir em novas descobertas, de comunicar e de ser felizes, de ver o que nos rodeia e o que está para além das novas tecnologias que tanto tempo ocupam os nossos dias. 


5. Memorável (2019) de Bruno Collet. Sinopse: Louis, pintor, está a experienciar estranhos eventos. O seu mundo parece estar a desintegrar-se. 

Visualmente, uma das mais bonitas curta-metragens em competição na MONSTRA. Os seus traços a pincel acompanham os sentimentos da nossa personagem, às vezes precisos, outras vezes mais incertos. É uma maneira diferente de apresentar doenças relacionadas com a perda de memória, capaz de nos deixar emocionados ao ver o sofrimento do protagonista. No final ficamos com o coração partido, mas com uma experiência de animação absolutamente rica e sem igual.

Os vencedores do prémio da escolha do público da MONSTRA serão conhecidos amanhã. Até lá, contem-nos: quais são os vossos filmes favoritos na competição? 😊
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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