domingo, 3 de maio de 2020

"Bombshell - O Escândalo" em análise

Tenho de dizer que quando Bombshell - O Escândalo chegou aos cinemas não me atraiu minimamente. Havia outros filmes que estrearam no mesmo dia que eu queria ver e este não estava na lista, mas agora decidi dar-lhe uma oportunidade e fiquei surpreendida. Realizado por Jay Roach e com um elenco de peso onde se destacam nomes como Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie, esta é uma história verídica sobre o grande escândalo da FOX News


O argumento apresenta-nos várias funcionárias da FOX News que denunciam a cultura de masculinidade tóxica desta empresa de média e revelam escândalos sexuais que foram obrigadas a cometer para manter o seu trabalho e alcançar melhores postos na empresa. Roger Ailes é o nome que circula entre todas elas e aquele que se destina à queda depois do triunfo dos testemunhos destas mulheres. 

O tom provocador com que se inicia mantém-se durante toda a longa-metragem, o que leva a um clima fervoroso entre todas as personagens, tornando-se verídico até no modo como relata o dia-a-dia num ambiente tóxico – que, verdade seja dita, é o que aquele lugar é. Também no início somos imediatamente situados no tempo enquanto a narrativa viaja para a corrida às eleições e apresenta Donald Trump como alguém incapaz que conseguiu ascender à presidência, recorrendo a imagens televisivas de alguns desses momentos. 


Muitas vezes temos as protagonistas a falar diretamente para o espectador. Ainda que não seja propriamente uma novidade (ocorrem-me filmes como O Rei dos Gazeteiros, em 1986, ou A Queda de Wall Street, em 2015) a maneira como o fazem traz algo de refrescante, talvez derivado da grande dinâmica ali vivida. Começamos com Charlize a fazer uma descrição do prédio da FOX News, numa introdução arrebatadora que instantaneamente consegue deixar-nos agarrados. Este é um filme energético que parece não ter tempo a perder, ainda que não seja propriamente apressado – tudo acontece ao seu tempo, mas está sempre alguma coisa a acontecer. 

O talento das três protagonistas já é bem conhecido, mas neste filme parece que têm uma energia diferente. Talvez por ser liderado por mulheres e onde estas e os crimes contra elas cometidos são o maior destaque, parecem ter uma capacidade de brilhar ainda mais. A única coisa que não me agradou totalmente, e tenho mesmo de admitir, foi a caracterização, que muitas vezes me pareceu forçada e descontextualizada – em alguns momentos os penteados parecem ser de outros tempos e mesmo depois de ter visto as personalidades reais continuo com esta opinião. 


Bombshell - O Escândalo agradou-me bastante. É um filme com um ritmo acelerado que passa a correr e não deixa de entreter enquanto apresenta um tema sério. Apesar de não me ter chamado à atenção quando estreou nos cinemas, agora conquistou-me com uma enorme facilidade. Vale muito a pena ver!

7/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

3 comentários:

  1. Já me convenceste. Tenho mesmo que o ver!

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  2. As meninas São um estouro.
    Mas John Lightgow é um fenómeno.
    Boa semana

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  3. Fui ver o Bombshell quando estreou nos cinemas. É o meu estilo de filme, como tu bem sabes. E concordo quando dizes que a narrativa tem um ritmo acelerado, o que acho que pode ser desvantajoso no sentido em que não assistimos a nenhuma cena em que o empoderamento da mulher tome conta do ecrã. Com isto quero dizer que não existiu o momento em que, por exemplo, uma Meryl Streep sai de um tribunal rodeada de mulheres (The Post) ou vemos uma união de mulheres heroínas (Avengers: Endgame). Mas vale muito a pena ver por toda a história. Beijinhos, Joana!

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