terça-feira, 12 de maio de 2020

"Contágio" (2011), o filme do momento

O filme sobre o qual escrevo hoje tornou-se viral assim que os primeiros sinais de epidemia começaram a chegar, ao ponto de ter até passado a fazer parte do catálogo da HBO. Admito, no entanto, que quando o vi, em 2012, não me surpreendeu assim muito e também achei que neste momento não era propriamente o filme que nos faz bem ver. O que quero dizer é que, infelizmente, o que este apresenta é muito idêntico ao que estamos a passar, e isso deixou-me reticente em fazer esta publicação, apesar de ter todo um lado educativo que até pode ser positivo. No entanto, a SIC decidiu exibi-lo no passado domingo à tarde e acredito que muitos de vocês o viram. Então, porque não trazer algumas palavras sobre Contágio (2011), realizado por Steven Soderbergh? 


O argumento inicia-se com a viagem de uma das personagens, que depois sente-se mal e tem uma morte inesperada, que deixa os médicos em alerta, por desconhecerem as suas causas. Este é apenas o início da propagação de um vírus cuja origem ainda está por descobrir, e que assim permanece durante a maioria do tempo. Como é que aquela personagem ficou doente? Como se propaga o vírus? Como podemos evitar a sua propagação? Estas são algumas das questões que Contágio levanta, e cujas respostas tenta apresentar, tornando a história, como já disse, educativa a um certo ponto. 

O cenário apresentado é caótico, quase apocalíptico. Se em alguns momentos vamos pensar: “uau, isto é tal e qual o que estamos a viver”, noutros vamos só lembrar-nos de cenas de filmes de zombies, com estes a espalharem o caos entre os vivos – infelizmente, ainda que exageradas, algumas destas cenas são apenas açambarcamentos de rolos de papel higiénico e produtos de mercearia nos supermercados. Ruas vazias, supermercados cheios, lixo espalhados, máscaras por todo o lado... Isso não é muito diferente da realidade.


Um aspeto positivo é o modo cru como Contágio enaltece os privilégios das classes mais ricas. Nomeadamente quando chega o momento da distribuição de vacinas, em que as personagens têm a necessidade de engendrar artimanhas para conseguirem que estas cheguem às camadas mais pobres da população. Também crua é a maneira como expõe as situações nos hospitais, mostrando a falta de materiais necessários, como cobertores para aquecer os doentes – há uma sequência extraordinária em que a personagem de Kate Winslet, muito aflita, dá um casaco a um doente que se encontra ao seu lado. Também não posso esquecer a maneira como apresenta as “fake news” e o modo como estas têm influência na sociedade, muitas vezes partindo até de fontes que à partida seriam credíveis. 

Com um elenco de luxo onde praticamente todas as caras são conhecidas – temos Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law, Gwyneth Paltrow e Marion Cotillard, por exemplo –, um dos pequenos problemas que vejo é a quantidade enorme de personagens… Simplesmente, porque ao início parecem estar em demasia, ainda que todas acabem por estabelecer um elo em comum, não tornando a narrativa problemática. Ainda assim, acho que alguns são descartáveis, pois as suas histórias parecem apenas paralelas ao rumo que o filme pretende seguir. 


Eu não sei quanto a vocês, mas durante a quarentena quis desligar-me um pouco de filmes deste género e ver mais comédias, coisas leves, que me deixassem mais animada. Sei que este Contágio foi o “filme do momento”, mais visto agora do que quando foi lançado… Mas não senti necessidade de o rever, porque quando o vi pela primeira vez não me marcou assim tanto. Lá acabei por ver na SIC e aqui estou eu a escrever sobre ele. Agora aproveito para perguntar: já viram Contágio ou também preferiram dedicar-se a outros géneros de filmes mais alegres?
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes, escreve cartas e coleciona figuras e outras tralhas! No que toca à Sétima Arte, desde criança que fico encantada com as animações, mas os grandes clássicos também me conquistaram o coração. Forrest Gump, O Resgate do Soldado Ryan e Cinema Paraíso são alguns dos meus favoritos. E é impossível esquecer a trilogia de O Senhor dos Anéis!

1 comentário:

  1. Vi no outro dia o filme, passou na SIC, se a memória não me falha! Foi muito bom, embora ache que o final foi um bocadinho apressado, arrepiei-me ao ver as semelhanças com o que se está a passar atualmente no mundo! É pena que um filme desse género se tenha tornado realidade... :(

    Beijinhos,
    Ella Morgan
    https://splitting-soul.blogspot.com/
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    Twitter (@Ella_Morgan2018)

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