terça-feira, 5 de maio de 2020

"Gladiador" (2000) de Ridley Scott faz vinte anos

O filme sobre o qual hoje escrevo celebra agora os seus vinte anos de existência. Foi lançado precisamente neste dia, em 2020, nos EUA, mas só chegou às salas de cinema portuguesas a 19 de Maio, um pouquinho mais tarde. Certamente, muitos de vocês sentem que esta longa-metragem está nas vossas vidas desde sempre, mas não posso bem dizer que é o meu caso, ainda que já o tenha visto algumas vezes e o considere uma obra-prima – simplesmente ainda era um pequeno rebento quando foi lançado. Já sabem a qual me refiro, certo? Gladiador de Ridley Scott, que foi vencedor de cinco Óscares


Com argumento de David Franzoni, John Logan e William Nicholson, a história passa-se na Roma antiga, depois da morte de Marcus Aurelius (interpretado por Richard Harris), que deixa explícita a sua intenção de tornar Maximus (Russell Crowe) num herdeiro, o que desperta a ira do seu filho Commodus (Joaquin Phoenix), que imediatamente se livra do comandante. No entanto, este consegue fugir para uma vida condenada a ter a identidade de um escravo e gladiador do Império Romano, lutando contra a morte na grande arena, pelas ordens de Commodus. 

Gladiador costuma passar com uma grande frequência na televisão, especialmente na época da Páscoa – qual Sozinho em Casa no Natal –, por isso acredito que a maioria de vós, leitores, já o viram pelo menos uma vez. Se não viram, deixo desde já a sugestão e não se assustem pela duração de 2h35, pois este é um filme em que o tempo voa, pois está repleto de intrigas e sequências de ação e tem uma história que nos agarra imediatamente.


Antes de Gladiador, Ridley Scott já era um nome conceituado no que toca à realização, com uma carreira sólida depois de êxitos como Alien - O Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner: Perigo Iminente (1982), dois clássicos de culto que ainda hoje continuam a espalhar raízes e a ser considerados verdadeiros êxitos do cinema. Assim sendo, Gladiador tinha desde logo este destaque, que era o realizador. A ele juntava-se um elenco também com uma grande força, ainda que os protagonistas talvez sejam mais conhecidos agora do que propriamente no ano do lançamento. 

Esta é uma produção com muitas sequências de suspense e de luta, que contrastam com o minuto inicial em que temos Maximus a passar a mão pela ceara, numa espécie de indício para o final, que até se torna emocionante. Soa a liberdade, em oposição aos desacatos entre o ser-humano, a vingança e a pobreza, que são temas abordados. O modo bruto como determinadas sequências são apresentadas tem a intenção de provocar e chocar o espectador, de mostrar a realidade que se viveu no Império Romano e como o Imperador parecia pouco importar-se com o que o rodeava, tirando proveito da infelicidade do seu povo e revelando o lado mais sujo do Homem e uma ambição de se elevar, independentemente das consequências. 


As prestações são também um grande ponto a favor, especialmente as dos protagonistas Russell Crowe e Joaquin Phoenix. Crowe tem a difícil tarefa de se tornar naquele escravo que vai para a arena lutar. As suas feições transmitem medo, mas também coragem e o seu físico revela-se ágil para enfrentar o imprevisível. No entanto, admito que, para mim, é Joaquin Phoenix quem tem a prestação mais inesquecível, no papel deste vilão que tem ódio no olhar. Destaco a sequência em que Commodus descobre que o pai prefere Maximus, e o rosto de Joaquin fica transformado em ganância e inveja. Depois, claro, as suas reações na arena também são memoráveis e inclusive têm um tom cómico e ridículo que ressalva ainda mais a personalidade mesquinha da sua personagem. 

Por fim, não podia deixar de referir a banda sonora a cargo de Hans Zimmer e com vocais de Lisa Gerrard. Pouco tenho a dizer, pois é uma das composições mais conhecidas, mais belas e arrepiantes. O significado que carrega ganha uma forma reconfortante e calorosa, mas também tem a capacidade de se tornar épica e gritante nas sequências da arena. Acrescento ainda que este pode ter sido o primeiro contacto de muita gente com o compositor Hans Zimmer – pelo menos para aqueles que não ligam a animações (O Rei Leão, O Príncipe do Egipto e O Caminho para El Dorado são outros trabalhos notáveis anteriores a este).


Não tenho mais a acrescentar aqui que já não tenha sido referido por outros tantos críticos e fãs que aclamaram este filme. É uma obra-prima – e eu sei que escrevo isto muitas vezes, por isso espero que não corra o risco de desgastar a palavra e de a tornar insignificante – que tem renascido todos os anos, mantendo-se tão especial quanto foi na altura em que estreou.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes, escreve cartas e coleciona figuras e outras tralhas! No que toca à Sétima Arte, desde criança que fico encantada com as animações, mas os grandes clássicos também me conquistaram o coração. Forrest Gump, O Resgate do Soldado Ryan e Cinema Paraíso são alguns dos meus favoritos. E é impossível esquecer a trilogia de O Senhor dos Anéis!

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