sexta-feira, 1 de maio de 2020

"O Bar Luva Dourada" em análise

O filme sobre o qual hoje escrevo estreou-se em solo nacional em Setembro do ano passado, no Motelx, e chegou aos cinemas na semana antes do período de quarentena, no dia 5 de Março. Admito que tinha uma certa curiosidade em vê-lo, porque era descrito como repugnante por muitos críticos e também porque me pareceu que tinha uma história fora do comum. Só muito recentemente é que o consegui ver e hoje trago para aqui algumas palavras sobre o filme alemão O Bar Luva Dourada de Fatih Akin, distribuído pela Cinema Bold


A narrativa tem lugar em Hamburgo, na década de 1970, mais concretamente num bairro onde se localiza o bar “Luva Dourada”. Somos apresentados a Fritz «Fiete» Honka, um falhado que rapidamente revela um lado negro, enquanto procura mulheres solitárias nos arredores da sua casa. A sua aparência horrenda, mas insignificante e até com um ar inofensivo, esconde uma vida repleta de assassinatos, nesta que é uma história sobre um serial-killer

O filme é baseado no romance homónimo de Heinz Strunk, que conta a história verídica de Fritz Honka, um homem que assassinou várias mulheres e que nunca conseguiu ser bem-sucedido na vida, procurando sempre refúgio no seu bar favorito, famoso por não ser frequentado pelas melhores pessoas, mas sim por bêbedos, drogados e prostitutas. 

Visualmente, o tom é negro, acastanhado, sujo, tanto no bar como na casa de Fritz. Todos os cenários são caóticos, com objetos e coisas a acontecer em excesso. No bar temos um vislumbre rápido dos clientes, seja a fazer sexo em público, a lamber tampões (sim, isso) ou a vomitar, quase num contraste com o proprietário, que não parece ser assim tão excêntrico. Já na casa, governam os grandes amontoados, seja de loiça, fotografias nas paredes (de mulheres nuas, estilo Playboy) ou de bonecas, quase sempre sem calças e de pernas abertas, num claro sinal das intenções sádicas do protagonista. Imaginem o pior possível e é isso que vão ter. 


Parece-me possível dizer que houve uma preocupação em chocar no que toca aos cenários, mas também nas caracterizações, a começar pela de Fritz, que em nada se assemelha com o ator que o interpreta, Jonas Dassler. O trabalho de maquilhagem e também o de guarda-roupa são dos poucos destaques deste filme, mas é algo que faz com que valha a pena vê-lo, se forem especiais apreciadores destas características. 

Infelizmente, a história é fraca e sem grandes surpresas e parece não haver um bom equilíbrio entre momentos mais calmos e outros de maior “ação”. Basicamente, vemos Fritz a assassinar mulheres ou a maltratá-las depois de as levar para a sua casa e de detetar sinais inexistentes. Depois temos um final que também desilude, pois parece ser apressado e demasiado simples para uma história que podia ter sido mais complexa e contada de forma mais interessante – sei que a história é verídica e o final é o que é, mas havia melhores maneiras de lá chegar. 

Inevitavelmente, tendo em conta o tema, existem sequências de grande agressividade e são relativamente explícitas, o que contribui para que o expectador comece a sentir repulsa não só pelos cenários, mas também, claro, pelo próprio protagonista. Lá nisso, ao contrário de outros filmes, este não pretende romantizar nenhum dos atos cometidos, tornando-se violento e cru. 


Não sei se as minhas expectativas é que eram elevadas, mas durante a minha visualização do filme até senti um certo aborrecimento, porque a história não evolui e é sempre mais do mesmo, em cenários sujos que também me fizeram alguma confusão. Não é um filme leve, antes pelo contrário, mas acho que também não foi capaz de me marcar ao ponto de daqui a cinco anos me lembrar dele.

4/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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