segunda-feira, 18 de maio de 2020

"Scooby!" em análise

Com muita pena minha, o filme sobre o qual hoje escrevo viu-se impossibilitado de estrear nas salas de cinema, devido à situação de pandemia do COVID-19, e acabou por ter um lançamento digital na passada sexta-feira, dia 15, nos Estados Unidos. Refiro-me a Scooby! (realizado por Tony Cervone), uma nova animação baseada nas histórias do famoso Scooby-Doo e companhia. A versão original conta com as vozes de Will Forte, Mark Wahlberg, Jason Isaacs, Gina Rodriguez, Zac Efron e Amanda Seyfried. 


A história começa por recuar ao momento em que o cão conhece Shaggy, que decide, espontaneamente, adotá-lo, dando-lhe o nome Scooby Dooby Doo. Depois, ainda na infância, antes da criação da Mystery Inc., vemos também o modo como estes conhecem os restantes membros do grupo: Fred, Velma e Daphne. O tempo passa e anos mais tarde, já com alguns casos resolvidos e muitas aventuras vividas, o grupo enfrenta um novo mistério e têm o desafio de impedir o “apocãolipse”, que acontecerá quando o fantasma do cão Cerberus for libertado no mundo. 

Poucos minutos dentro do filme são precisos para percebermos que o argumento é muito atual, essencialmente no seu tom cómico, que vai buscar referências modernas. Logo no início, temos uma piada sobre Harry Potter, depois temos também um dueto de “Shallow”, do filme Assim Nasce Uma Estrela (2018). Isto é interessante, pois por aqui percebemos que existe uma intenção de também impressionar os adultos, que irão entender estes momentos, o que dificilmente vai acontecer com as crianças, que são, certamente, o público-alvo deste filme, que sente a necessidade constante de ter  algo a acontecer, talvez para despertar um maior interesse por parte dos mais pequenos. 


Scooby! apresenta-se em grandes correrias, que, a juntar também à palete extremamente colorida, conseguem torná-lo alegre e dinâmico. No entanto, senti, por algumas vezes, que devido a esta necessidade de entreter e de nunca desacelerar o seu ritmo, parecia estar a perder-se do rumo da narrativa e, acima de tudo, a desapegar-se daqueles que são os seus verdadeiros protagonistas. 

Dito isto, pode parecer tolice da minha parte, mas acho que o Scooby e companhia não tiveram tanto tempo de antena quanto deviam. Sim, este é um filme capaz de nos reativar a nostalgia, com várias personagens dos tempos da série de televisão, no entanto há tanto a acontecer ao mesmo tempo que parece que a amizade entre Shaggy e Scooby, essencialmente, acaba por passar para o segundo plano em vários momentos, nomeadamente quando Cerberus e Dick Dastardly assumem todo o protagonismo. 


Ainda assim, o argumento consegue surpreender ao entregar o aguardado, mas inesperadamente. Isto faz sentido para vocês? É que é isso que acontece numa determinada sequência final, onde novamente recorrendo a referências modernas temos uma surpresa engraçada numa “revelação” do vilão. É mais um momento que consegue entreter, essencialmente os mais velhos. 

As minhas expectativas para Scooby! eram elevadas e estava a contar com uma bomba nostálgica. Não desiludiu, pois não é mau. Mas pelas razões que referi acima também não atingiu as expectativas, ainda que me tenha entretido durante a sua hora e meia. É um filme divertido, excelente para ser visto por toda a família, mas receio que seja um daqueles que facilmente esquecemos, a não ser que sejamos grandes fãs de todos os filmes que envolvem estas personagens.

6/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

1 comentário:

  1. Muitas vezes, manter o argumento mais simples é a opção certa, para que não se perca o verdadeiro foco

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