quinta-feira, 28 de maio de 2020

Uma masterclass por dia com a MONSTRA EM CASA

Vários foram os eventos e festivais que durante este período de pandemia tiveram uma capacidade extrema de reinvenção, adaptando-se às circunstâncias de modo a transmitir uma mensagem de união a todos aqueles interessados em retribuir o gesto, assistindo a transmissões em direto, numa tentativa de continuar a viver uma certa normalidade. Já por muitas vezes aqui falámos da MONSTRA - Festival de Animação e, certamente, continuaremos a falar enquanto sentirmos que este evento tem muito para dar. Este ano está a ser diferente e se numa primeira reação ficámos com alguma tristeza pelo adiamento (ainda que compreendendo totalmente a situação, é inevitável sentirmos essa infelicidade ao vermos as coisas que gostamos a serem canceladas, não é verdade?), temos de admitir que a solução encontrada está a ser mais uma prova de que este festival é diferente, é um refúgio e uma celebração da Animação, seja onde for, nos cinemas ou em casa. 


Se leram as nossas últimas publicações referentes à MONSTRA, já sabem que a MONSTRA EM CASA foi um projeto criado para levar o festival até às nossas casas. Iniciou-se no dia 25 de Maio, passada segunda-feira, e continuará até ao dia 31, domingo. Até agora, já aprendemos muito, com masterclasses dadas por grandes nomes da Animação Mundial que, para além de ensinarem, foram capazes de transmitir o seu gosto pelo que fazem. 

Na segunda-feira começámos com uma masterclass sobre os “100 anos da Animação brasileira”, dada por Arnaldo Galvão. Sendo sincera, admito que pouco conheço da Animação brasileira… Por mal que pareça, acho que o único filme de Animação brasileiro que vi foi Tito e os Pássaros, no ano passado na própria MONSTRA. E recordo que foi uma grande experiência, um filme lindo, que este ano prometia ser novamente exibido. Ora, dito isto, no final desta masterclass guardei uma lista de filmes brasileiros que quero ver, a começar pelo primeiro a cores, Piconzé de 1973, realizado por Ypê Nakashima. Nesta masterclass, falou-se ainda da publicidade em Animação e da importância de continuar a animar no Brasil. 

Já na terça-feira, Christophe Héral mostrou-nos a função da Música na Animação, mais precisamente no filme A Viagem do Princípe, realizado por Jean-François Languionie, para o qual compôs. Não se limitou a falar, mas essencialmente a mostrar o processo de composição do desenho e das melodias e as interpretações necessárias para o fazer. 

Ontem, Burak Sahin, realizador e professor turco, falou sobre a “Animação como Forma de Pensar e Educar”, numa masterclass que ficou marcada essencialmente pela visualidade incrível de vários esboços que este foi apresentando, à medida que referia várias produções suas e da Animação em geral. 

Hoje, Eduard Puertas Anfruns trouxe aquela que, na minha opinião, foi a masterclass mais prática até agora. “Stop-motion fácil” é ideal para quem tem interesse em aprender como funciona a técnica de stop-motion. Com grande entusiasmo, Eduard Puertas Anfruns descreveu o processo e exemplificou em direto, com a ajuda de fantoches, criados por ele ou pelos seus estúdios, Citoplasmas Stop-Motion. Foi uma masterclass ligeiramente mais curta, mas cheia de dinâmica e entusiasmo sobre este género de Animação. 

Como já referi anteriormente, considero que a MONSTRA é um local de união e partilha e ao longo desta semana partilha-se o amor pela Animação. As masterclasses continuam até sábado, amanhã com “Desenho e Espaço no Cinema Animação” e depois com “O Acting na Animação”. Todos os dias, transmitidas em direto no Facebook do evento às 18h. Liguem-se, que vale a pena! Se não viram as restantes, estas também estão disponíveis na página.







QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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