sexta-feira, 5 de junho de 2020

"E.T.: O Extraterrestre" (1982) a rebobinar

O filme sobre o qual hoje venho falar é um autêntico clássico que marcou as infâncias de muita gente, incluindo a minha! Uma obra-prima inovadora, que é também uma das referências do auge da carreira de Steven Spielberg, que na década em que este filme foi lançado estava completamente imparável – assim como na década anterior e na seguinte, na verdade. Refiro-me a E.T.: O Extraterrestre (1982), uma aventura para toda a família que nos leva a sonhar. 


E.T.: O Extraterrestre tem sobrevivido à passagem dos anos, continuando atual, quase quarenta anos depois. Ainda tem a capacidade de encantar aqueles que o estão a ver pela primeira vez e também de dar uma enorme nostalgia aos que já o viram (vezes sem conta) e que continuam a apaixonar-se pela amizade do pequeno Elliott e daquela criatura estranha caída do espaço. 

A trama é muito simples, na verdade. Temos um pequeno alien a ser esquecido no Planeta Terra e a encontrar-se com uma criança, que com ele estabelece uma ligação inseparável. Isto é sobre amizade, mas também tem o poder de criticar o ser humano e o modo como este enfrenta o que lhe é estranho. 


O momento em que o E.T. é descoberto, para além do círculo de Elliott, continua a trazer aquele sentimento de tristeza, ao percebermos que os humanos, assim como muitos suspeitam (as teorias da conspiração…), só pretendem adquirir novos conhecimentos daquilo que não conhecem. Ao verem o E.T., limitam-se a tratá-lo como um objeto de investigação, ao contrário daquilo que as crianças fizeram. É um contraste interessante, pensar num paralelo entre os adultos e as crianças, ou até com os humanos e o E.T.. 

A música de John Williams consegue também elevar o filme a outro patamar. Já não era a primeira vez que Williams e Spielberg estavam a trabalhar juntos, numa relação que continua a durar e a trazer grandes êxitos não só no Cinema como também nas próprias bandas sonoras. E se esta banda sonora consegue adequar-se a todos os momentos, é no final que se torna completamente épica, resultando numa grande experiência visual e sonora. Aqui, é interessante recordar uma curiosidade! Acontece que John Williams não estava a conseguir, ao início, fazer o acompanhamento correto dessa cena. Então, depois de várias tentativas, Spielberg encorajou-o a conduzir a sua orquestra sem a imagem do filme. O resultado é que o realizador acabou por editar o próprio filme, de modo a adaptá-lo à música – o que geralmente não acontece, sendo tarefa da música adaptar-se. 


Já que falamos de curiosidades, recordam-se da sequência no Halloween em que o E.T. vê uma criança mascarada de Yoda a passar por ele? Pois, bem, esta referência pode não ter sido apenas coincidência ou um modo de Spielberg recordar o seu bom amigo George Lucas! Acontece que em 1999, no filme Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, durante a sequência do senato, aparecem personagens que se assemelham muito ao E.T.. Dito isto, ainda que na altura talvez tenha sido mesmo só referência engraçada, acabou por ser feita uma ligação entre os filmes, de modo a sugerir que o E.T. era do mesmo planeta que o próprio Yoda e que esse foi o motivo pelo qual olhou tanto para ele: reconheceu-o e lembrou-se de casa! 

O elenco, maioritariamente liderado por crianças, também consegue brilhar. Inegavelmente, Steven Spielberg consegue deixar as crianças à vontade, quase como se estas poucos guiões tivessem de seguir. Na minha opinião, os melhores filmes com crianças estão sempre ligados a Spielberg, não sei bem porquê, mas parece-me que este tem uma boa capacidade de lidar com os mais pequenos nas gravações (veja-se o caso de O Amigo Gigante, em 2016, por exemplo). Henry Thomas vai ser para sempre associado ao pequeno Elliott, no entanto, Drew Barrymore, que interpreta a sua irmã acabou por conseguir destacar-se noutros filmes, ainda que este seu papel de Gertie seja, para mim, o seu mais memorável. 


Este é um daqueles filmes que nunca esquecemos e que por muitas vezes que o vejamos continuamos a sentir a mesma magia que sentimos no nosso primeiro visionamento. A história desta amizade inesperada resultou neste grande clássico familiar, que acredito ser um dos favoritos de muita gente. Por aqui, posso dizer que não é dos meus favoritos de Steven Spielberg, mas é um que eu gosto de recordar frequentemente!
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

4 comentários:

  1. Gosto tanto deste filme, é um filme que me recorda sempre a infância.

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  2. ET: um filme lindíssimo que é sempre bom tornar a ver.
    Uma boa semana com muita saúde.
    Um beijo.

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  3. Este filme é mesmo um clássico e é maravilhoso <3

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