domingo, 28 de junho de 2020

"Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga" em análise

Chegou na passada sexta-feira, dia 26, à Netflix um filme que promete agradar aos fãs do festival de música mais famoso da Europa: a Eurovisão. Ora, desde que foi lançado o clip dos dois protagonistas, interpretados por Will Ferrell e Rachel McAdams, a cantar a música original “Volcano Man”, foi difícil perceber se esta longa-metragem ia ser boa ou má, porque logo ali tínhamos Ferrell a pender para a comédia e a cantar terrivelmente, mas, no lado oposto, McAdams dava um certo charme à coisa e até cantava bem (na verdade, a verdadeira cantora é Molly Sandén). Admito que depois de ver o vídeo e o trailer fiquei com interesse em ver esta comédia, que percebi imediatamente que não ia ser uma paródia à Eurovisão, mas sim uma espécie de carta de amor, uma homenagem, até porque a ideia foi do próprio Will Ferrell, grande fã do festival, que também teve mão no argumento. 


Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga acompanha o “nascimento” dos Fire Saga, motivados por um amor que só cresceu depois da atuação memorável dos ABBA com “Waterloo”. Lars Erickssong (interpretado por Will Ferrell) e Sigrit Ericksdottir (Rachel McAdams) começam a desenvolver o sonho de atuar e vencer a Eurovisão. No entanto, claro está, como se viu logo no clip de “Volcano Man”, uma metade da dupla (precisamente aquele que mais quer conquistar esse sonho) não tem os dons vocais muitos afinados. Lançada a premissa, partimos então numa aventura de passar de vergonha a heróis nacionais e de chegar à Eurovisão para representar a Islândia, nem que para isso seja necessária a ajuda dos elfos. 

Por onde começar… Talvez pelas músicas? Pois estas estão sempre presentes, sendo algumas originais, outras populares, representativas da Islândia e até algumas participantes da própria Eurovisão. No que toca às originais, é de notar que conseguem seguir os ritmos propostos pela maioria dos artistas que chegam à Eurovisão: muita dinâmica, ritmos acelerados, letras explosivas, mas às vezes repetitivas. Acima de tudo, ficam na cabeça por alguns minutos. E é isso que acontece com a música que marca a dupla e que é repetida algumas vezes durante o filme, tanto em ensaios como no palco principal. Depois temos hits populares, com destaque para “Happy” de Pharrell Williams, que é cantada também pela dupla, entre outras tantas. Neste ponto, estas músicas pareceram-me desnecessárias e preferia ter visto mais temas originais, pois na sua maioria até tinham qualidade. 


Os fãs da Eurovisão sabem que este é um espetáculo de cor, surpresa e muita performance. Este filme consegue entregar isso, no entanto parece que quando chegamos aos momentos representantes da Eurovisão falta um maior exagero, especialmente na decoração do palco, que parece pequeno comparado com os que costumamos ver na televisão. Também as performances parecem simples, muitas vezes sem dançarinos, o que, como sabemos, não é muito comum – especialmente nas últimas edições, em que temos mais fogo de artifício do que paixão pela Música. 

Foi precisamente esse fogo de artifício que levou Salvador Sobral, vencedor português da Eurovisão em 2017, a afirmar que a Música é sentimento. Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga acaba por seguir este rumo, mostrando que o mais importante é o amor e não vencer o festival. No entanto, até atingir esse ponto da narrativa dá muitas voltas e reviravoltas, que às vezes parecem distanciar-se do seu objetivo. 


Infelizmente, este é um filme que se assume como uma comédia. Uma comédia norte-americana que muitas vezes está vazia de sentido de humor, pois parece juntar outros géneros à mistura. Não posso, mesmo assim, dizer que não me ri com alguns momentos, que inevitavelmente vão conseguir levar a gargalhadas. Só que, para mim, algumas sequências que tinham o intuito de levar ao riso não correram muito bem, tornando-se até um tanto macabros. Esta sequência a que me refiro em concreto – e acredito que quem já viu o filme vai imediatamente saber do que falo – acaba por ter a capacidade de levar a um plot twist um tanto inesperado, mostrando que até ao fim conseguimos ter algumas surpresas. 

Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga surpreendeu-me. Digo-o simplesmente assim, porque teve o poder de me alegrar. É um daqueles filmes alegres que nos deixam com um sorriso na cara (nem que seja ténue). Às vezes até é uma caixinha de surpresas, pois a narrativa nem sempre apresenta o que estamos à espera de ver. Claro está, o trabalho dos atores, desde os dois protagonistas até aos inúmeros cameos (de atores e cantores populares, a ex-concorrentes da Eurovisão), também contribui para essa surpresa, pois nunca sabemos o que esperar de cada um. Este é um filme que, no final, pode até ter alguns defeitos, mas percebe-se que foi feito com amor e esse amor é facilmente transmitido.

7/10 ⭐
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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