segunda-feira, 6 de julho de 2020

Faleceu o Mestre Ennio Morricone aos 91 anos

O mundo hoje acordou mais pobre, com a notícia do falecimento de Ennio Morricone, compositor e maestro italiano com uma carreira notável, onde constam contributos inesquecíveis para filmes que formam a História do Cinema. Ao longo dos anos, escreveu mais de quinhentas composições, que não só deram música aos filmes, como também às nossas vidas. 


Ennio Morricone faleceu esta manhã aos 91 anos, na sequência de uma queda acidental. Estava hospitalizado num hospital em Roma, devido a uma fratura de um fémur. Giorgio Assuma, amigo da família e advogado, disse que “morreu na madrugada do dia 6 de Julho, no conforto da fé”. Acrescenta-se ainda que escreveu uma carta de despedida, escrita na primeira pessoa, onde começa por dizer: “Eu, Ennio Morricone, morri”. Termina acrescentando que o adeus mais difícil é o que tem de fazer à sua esposa, Maria Travira, com quem esteve casado desde 1956. 

Io, Ennio Morricone, sono morto.
Lo annuncio così a tutti gli amici che mi sono stati vicini ed anche a quelli un po’ lontani che saluto con grande affetto. Impossibile nominarli tutti. Ma un ricordo particolare è per Peppuccio (Giuseppe Tornatore, ndr) e Roberta, amici fraterni molto presenti in questi ultimi anni della nostra vita. C’è solo una ragione che mi spinge a salutare tutti così e ad avere un funerale in forma privata: non voglio disturbare. Saluto con tanto affetto Ines, Laura, Sara, Enzo e Norbert per aver condiviso con me e la mia famiglia gran parte della mia vita. Voglio ricordare con Amore le mie sorelle Adriana, Maria e Franca e i loro cari, e far sapere loro quanto gli ho voluto bene. Un saluto pieno intenso e profondo ai miei figli Marco, Alessandra, Andrea e Giovanni, mia nuora Monica, e ai miei nipoti Francesca, Valentina, Francesco e Luca. Spero che comprendano quanto li ho amati.
Per ultima Maria, ma non ultima. A lei rinnovo l’amore straordinario che ci ha tenuto insieme e che mi dispiace abbandonare. A lei il più doloroso Addio. 

O mestre deixa assim o solo, mas a sua memória permanece viva, ou não terá sido um dos grandes compositores de todos os tempos. Levou-nos a viajar através das suas melodias. Seja para os westerns spaghetti, para uma sala de cinema ou para as ruas corruptas de Manhattam. Associamos as suas bandas sonoras aos filmes quase tão instantaneamente como associamos um ator ou um realizador. Ennio Morricone é Música. Ennio Morricone é Cinema e emoção. 

Compôs algumas das mais belas melodias. Muitas, digo até, ultrapassaram os seus filmes em fama. Compôs para a famosa trilogia de Sergio Leone, com quem manteve uma das maiores cumplicidades do cinema entre realizador e compositor. Deste, destacam-se o trabalho na Trilogia dos Dólares – composta por Um Punhado de Dólares (1964), Por Mais Alguns Dólares (1965) e O Bom, o Mau e o Vilão (1966) –, Aconteceu no Oeste (1968) e Era uma vez na América (1984). De resto, quem não se lembra bem das bandas sonoras de, por exemplo, Os Intocáveis (1987) e Cinema Paraíso (1988), com aquela melodia apaixonante, que na sequência final tem o grande poder de nos levar às lágrimas? 


O Óscar demorou a chegar, apesar de anteriormente já ter recebido um Óscar Honorário em 2007. Mas chegou, com Os Oito Odiados (2015) de Quentin Tarantino, em 2016. Outra banda sonora épica a compor o currículo, mas desta vez com um merecido prémio. 

Recentemente, andou em tour, em formato de despedida dos palcos. The Final Concerts foi o nome. Passou por Portugal no ano passado, a 6 de Maio na Altice Arena, num concerto em que conduziu a sua orquestra pelos maiores clássicos da sua carreira, e, certamente, aqueles que mais gosto teve em criar. A ele juntou-se Dulce Pontes, a cantora portuguesa com quem já tinha trabalhado e com quem criou o álbum Focus em 2003, que inclui um belíssimo tema adaptado da banda sonora de Cinema Paraíso. 

Ennio Morricone deixa-nos assim, mas fica o seu legado.

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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

2 comentários:

  1. Uma grande perda, sem dúvida :(. Eu conhecia-o por causa da banda sonora divinal do filme "Cinema Paraíso" <3.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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  2. Uma das grandes companhias na minha vida.
    E continuará a ser.

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