quinta-feira, 30 de julho de 2020

"Interstellar" (2014): em busca da sobrevivência

Christopher Nolan, considerado um dos melhores realizadores da atualidade, faz hoje 50 anos. Em vésperas de estreia do seu novo filme, adoraríamos poder falar sobre esse para celebrar o seu aniversário, mas, por agora, enquanto Tenet não chega ao grande ecrã, teremos de recordar uma das suas obra-primas anteriores. Então, porque não escrever sobre Interstellar, que até foi recentemente reposto nas salas de cinema e ainda se encontra em exibição?


Interstellar, lançado em 2014, é uma autêntica ópera cinematográfica, que prova que o ser humano é ambicioso, até quando o objetivo é conquistar a sobrevivência. Aqui acompanhamos uma família, numa realidade onde se torna cada vez mais difícil de respirar. A urgência por encontrar uma solução para o problema leva Cooper (interpretado por Matthew McConaughey), que antes já tinha trabalhado na NASA, a voltar às aventuras espaciais, com o objetivo de, juntamente com uma equipa liderada por Brand (Anne Hathaway), encontrar um planeta onde o ser humano possa sobreviver. 

O argumento, escrito por Christopher Nolan e pelo seu irmão Jonathan (que é o criador da excelente série de televisão Sob Suspeita – se nunca viram nenhum episódio, aqui fica a recomendação!), está cheio de segredos. Num momento em que Nolan já era bastante reconhecido, essencialmente pelo seu trabalho com a trilogia do Caveleiro das Trevas e Inception, este Interstellar foi, desde cedo, aguardado com grandes expectativas, para depois ser aclamado pela crítica, que o considerou uma obra-prima. No entanto, a consciência de que revelar o enredo podia arruinar a experiência, fez com que as primeiras opiniões fossem muito limitadas. Curiosamente, parece-me que ainda hoje o enredo consegue manter-se desconhecido para quem ainda não o viu, e é fundamental que assim permaneça. 


Neste filme temos um excelente equilíbrio entre humanos e tecnologia, mesmo num momento em que a nossa sobrevivência é questionada. Há sempre uma vontade de conquistar mais, o que é particularmente salientado no protagonista herói (muito moderno), aqui retratado por McConaughey, que entrega, certamente, uma das prestações mais memoráveis da Sétima Arte. 

É importante nunca perder o fio à meada, porque Interstellar não é daqueles filmes de fácil digestão. Na verdade, temos de prestar atenção a tudo o que é dito para compreender o seu final. A montagem, felizmente, ajuda o espectador a compreender todas as mudanças espaço-temporais, com um passado e futuro a entrarem constantemente em contacto, à medida que é ainda inserida a Teoria da Relatividade. De resto, é importante não esquecer aquele que é o elemento de união que Nolan sempre vai buscar para os seus filmes: o amor, neste caso entre um pai e a sua filha. 


Também o visual e o sonoro estão em harmonia. Se, por um lado, temos um trabalho de fotografia arrepiante (a cargo do suíço Hoyte Van Hoytema) que salienta as paisagens distantes, tanto do planeta Terra como dos restantes locais visitantes, por outro temos também uma mistura de som bem pensada para despertar as emoções do público, assim como mais uma composição de Hans Zimmer. 

Interstellar é considerado um filme essencial para os amantes de Cinema. Resta saber se o novo Tenet também vai seguir este caminho, pois nada menos se espera do realizador de 50 anos. Estamos quase a descobrir, pois este chegará ao grande ecrã no dia 26 de Agosto. Por sua vez, Interstellar continua em exibição em algumas salas, depois de ter sido reposto, precisamente para anteceder o lançamento de Tenet – também A Origem vai voltar às salas, no dia 13 de Agosto.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

Sem comentários:

Publicar um comentário