quarta-feira, 15 de julho de 2020

"Journey", um jogo com uma viagem memorável

Durante o período de quarentena, de modo a entregar uma prenda de consolo aos seus utilizadores, a PlayStation ofereceu alguns jogos em formato digital. Entre eles está este sobre o qual hoje escrevo: Journey, dos produtores Thatgamecompany e Tricky Pixels. Admito, antes de ter começado a jogá-lo nunca tinha ouvido falar deste jogo. Em grande parte, isto também se deve ao facto de eu ser mais fã da Nintendo do que propriamente da PlayStation – na verdade, apenas um membro da Companhia Cinéfila tem PlayStation e não sou eu. No entanto, passados alguns minutos no mundo de Journey, reconheci que este era diferente de tudo o que eu tinha jogado até ao momento, o que me ajudou a entrar por completo no seu ambiente envolvente e peculiar. 


Journey leva-nos a conduzir uma personagem vestida com mantos vermelhos por paisagens distintas: começamos o jogo num deserto onde parecem existir algumas pontes, mas depois acabamo-lo no fim de um percurso marcado por uma enorme densidade de neve. Para além da mudança de cenários, sentimos que também as estações vão mudando, o que parece acentuar uma mudança de tempo, ou seja, sabemos que aquela jornada não se fez apenas em minutos na vida da personagem, mas que pode até simbolizar anos. 

Ao início é difícil perceber o que é para fazer. Temos, porém, um objetivo definido: chegar a uma montanha distante, dividida em dois cumes. Sabemos isto simplesmente porque tudo indica que é para lá que nos devemos dirigir. Porém, como chegar até lá é um mistério que obriga o jogador a explorar, sempre num ritmo lento, pois a sua personagem apenas caminha e voa, ocasionalmente. 


Ora, a determinado momento da minha aventura cruzei-me com outra personagem como eu, que, a pensar que seria uma simulação do jogo, decidi seguir e interagir – a vossa personagem é capaz de comunicar, através de sons impercetíveis. Isto apenas para mais tarde perceber que aquela personagem era, na verdade, outro jogador! É isto, ao longo do jogo, se tiverem uma ligação à internet, podem encontrar outros jogadores. No final, caso encontrem algum, será apresentada uma lista com os nomes de todos os utilizadores que encontraram. 

Em termos de história, Journey não é fácil de se perceber. Vamos tendo alguns sinais, mas é tudo muito abstrato. Por isso, acredito que o que mais há é teorias. E a minha é simples: este jogo é sobre a vida daquela personagem e, no final, este morre e tem um momento em que recorda toda a sua vida. Faz sentido? Acontece que vamos viajando por sítios muito diferentes, conhecemos pessoas… É tudo passageiro. No final – atenção, spoiler –, quando atingimos o nosso objetivo, a personagem transforma-se numa estrela cadente e percorre todo o percurso que fizemos, num sentido inverso, regressando ao local onde tudo começou e dando a oportunidade ao jogador de refazer toda aquela aventura. 


Journey é uma espécie de viagem espiritual, onde temos a oportunidade de viajar por um mundo com uma cinematografia bela, acompanhada por uma banda sonora comovente. O facto de a personagem apenas caminhar, e não correr, permite-nos realmente entrar naquele espaço e observar tudo o que nos rodeia ao pormenor – o que não seria, certamente, possível se a personagem tivesse movimentos mais rápidos. Com uma duração de jogo de cerca de três horas, esta torna-se numa experiência essencial.

Este é um jogo que nos leva a refletir e, apesar de já ter sido lançado em 2012, parece continuar a ter um certo impacto nas pessoas, motivo pelo qual surge agora uma sequela, Sky: Children Of Light. Porém, desta vez não chega à PlayStation, estando apenas disponível nos telemóveis (já se pode fazer o download na App Store há algum tempo e agora no Google Play) e em breve na Nintendo Switch (tem a data de lançamento marcada para este Verão, mas ainda sem um dia definido). Admito, estou ansiosa por conhecer esta nova aventura, mas vou continuar a esperar pela versão da Switch.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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