quarta-feira, 22 de julho de 2020

MOTELX 2020: as primeiras revelações

Foram esta terça-feira anunciados, em sessão de apresentação à imprensa, os primeiros destaques da 14ª edição do MOTELX, que terá lugar no Cinema São Jorge em Lisboa. A primeira grande novidade está precisamente no número de dias do evento, que este ano decorre entre 7 e 14 de Setembro, com dois dias extra em relação ao que é costume. Num ano atípico, o MOTELX começou por reforçar que as recomendações por parte da DGS serão cumpridas, o que vai levar a sessões com uma menor lotação, pois haverá lugares vazios entre as pessoas, de modo a garantir uma distância social segura. Este é o principal motivo que leva aos dois dias extra de festival, de modo a haver um maior conforto, também com mais espaçamento entre sessões. “A usar máscara desde 2007” foi o slogan escolhido para esta edição, numa ideia brilhante que promove o uso obrigatório de máscara durante as sessões. Na altura do festival, o Cinema São Jorge estará também preparado com dispensadores de álcool em gel e desinfetante, de modo a prevenir a propagação do COVID-19 e assegurar um evento seguro. 


Começamos pelo início do festival. Aliás, o pré-festival: o famoso Warm-Up do MOTELX. Haverá novamente encontros artísticos improváveis, a começar com uma performance/concerto a 3 de Setembro no Convento de São Pedro de Alcântara. A Mulher-Sem-Cabeça será apresentada a partir de um texto de Gonçalo M. Talvares, com ilustrações ao vivo de António Jorge Gonçalves e voz de MC Papillon. Na noite seguinte, o Espaço Brotéria será o palco de um jantar encenado a partir de um texto de Fernando Pessoa (mais precisamente do seu heterónimo Alexander Search), “Um Jantar Muito Original”, num projeto com supervisão artística de Albano Jerónimo e estreia em encenação de duas estudantes de Teatro e Cinema, Matilde Carvalho e Rita Poças. Por fim, já no dia 5 de Setembro, regressa a habitual sessão de cinema ao ar livre no Largo Trindade Coelho, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia. O filme a ser projetado será anunciado em breve. 

Infelizmente, 2020 está a ser marcado por eventos negativos, e não apenas relacionados com a pandemia. Recentemente, a morte de George Floyd veio levantar novamente várias questões relacionadas com o racismo. A par desta situação, este ano a programação do festival apresenta a retrospectiva “Pesadelo Americano: O Racismo e o Cinema de Terror”, composta por uma seleção de sete filmes precursores do movimento Black Lives Matter, “cujo olhar crítico propõe um acerto de contas com a história”. São eles The Intruder (1962), Ganja & Hess (1973), White Dog (1982), The People Under the Stairs (1991), Candyman (1992), Tales from the Hood (1995) e Get Out (2017). 

A secção Serviço de Quarto dá destaque à nova vaga de terror feminino. Haverá estreias de filmes aguardados, com destaque para Saint Maud de Rose Glass, uma visão original sobre fé e loucura, com carimbo dos famosos estúdios A24 – a casa de Ari Aster –, Relic, a estreia de Natalie Erika James enquanto realizadora, e The Trouble With Being Born, o filme que causou controvérsia no Festival de Berlim e que foi considerado uma espécie de Ex Machina (2014), uma antítese da história de Pinóquio, mas em versão de sci-fi. A secção Serviço de Quarto traz também o regresso de Takashi Miike com First Love, estreado na Quinzena dos Realizadores de Cannes, “uma louca mistura de drogas, sangue, gore, romance e humor negro e um regresso ao estilo hiperbólico que o tornou um favorito dos festivais”. Na secção Doc Terror, Scream, Queen! My Nightmare on Elm Street, é o primeiro filme a ser anunciado. Este é um documentário sobre Mark Patton e o seu papel enquanto primeiro Scream Queen masculino em A Nightmare on Elm Street 2: Freddy’s Revenge (1985), considerado atualmente um clássico do cinema LGBT


Em 2020 dá-se também destaque a Pedro Costa no MOTELX, “concretizando-se uma história que começou em 2005 quando o Cineclube de Terror de Lisboa (CTLX) programou Ossos num ciclo que realizou na Cinemateca e que viria a levar à criação do Festival”. O realizador é o convidado da secção Quarto Perdido, este ano intitulada “Pedro Costa – Filmar as Trevas”. Pedro Costa abordará em conversa a sua afinidade com o universo do terror e do fantástico. Serão exibidos os filmes Ne Change Rien (2009) e Cavalo Dinheiro (2014). 

Pela primeira vez, o programa dá asas às Curtas Experimentais, tendo até ao momento anunciado três: Extazus (2019), Valerio’s Day Out (2019) e Tomorrow I Will Be Dirt (2019). Estas curta-metragens apresentam narrativas alternativas e “usam técnicas revolucionárias para criar novas linguagens e pesadelos transcendentais”. No que toca a Curtas Internacionais, esta ano a secção é composta por vinte curtas variadas e com subgéneros distintos. 

Para terminar, esta edição traz ainda o regresso das secções competitivas, estando de regresso o Prémio MOTELX - Melhor Curta de Terror Portuguesa / Méliès d’Argent. Esta competição continua a incentivar a produção nacional do Cinema de Terror, com um prémio no valor de 5000€. Dadas as circunstâncias atuais, o prazo de inscrição deste ano foi prolongado até ao dia 2 de Agosto e os finalistas serão anunciados no próximo mês, assim como os nomes dos filmes em competição.

O MOTELX chegará ao Cinema São Jorge no dia 7 de Setembro e por lá ficará durante sete dias. Muitas novidades ainda estão por revelar. Vamos ficar atentos!

QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

Sem comentários:

Publicar um comentário