sexta-feira, 3 de julho de 2020

"O Rececionista" em análise

Um dos filmes que está a ter a sua estreia neste regresso aos cinemas é o thriller O Rececionista (The Night Clerk, no nome original), realizado por Michael Cristofer e protagonizado por Tye Sheridan, Ana de Armas e Helen Hunt. Numa fase em que os filmes que compõem o cartaz de exibições são, na sua maioria, reposições e aqueles que ficaram pendentes depois de estrearem precisamente na semana pré-quarentena, tenho de dizer que é um tanto arriscado apostar neste filme com o intuito de atrair pessoas às salas. Isto porque O Rececionista logo à partida não parece entregar nada de novo. Esta foi a ideia que tive assim que vi o cartaz, tão parecido com o do Terminal (2018) que até assusta, e li a sinopse. Claro está, uma pessoa não pode julgar a obra pela capa e, dito isto, dediquei-me a ver O Rececionista


A trama acompanha um rapaz com Síndrome de Asperger que trabalha na receção de um hotel e tem o estranho hobbie de espiar os hóspedes através de capturas das câmaras de vigilância. Ou seja, imediatamente sabemos que o destino do protagonista Bart não será muito feliz e este não tarda a tornar-se suspeito de um assassinato num quarto do hotel. À medida que o caso é inspecionado, surge uma nova hóspede, Andrea Rivera, uma jovem que tem um caso com um homem casado e que até chega a ser por ele mal-tratada. Os caminhos de Bart e Andrea não se cruzaram por mero acaso. 

O pacing do filme é muito lento e a falta de dinâmica perante situações de vida ou de morte incomodou-me um pouco. Em alguns momentos temos as próprias personagens a dizer que estão assustadas, mas ao mesmo tempo todas as suas expressões físicas parecem calmas e pouco coerentes com o que está a acontecer ao seu redor. Não soa minimamente natural. Infelizmente, a maioria do filme parece ser forçado, de modo a segurar a pouca história que tem para contar. E no que toca a ser forçado, isto inclui uma naked scene que me pareceu totalmente despropositada. 


Não me interpretem mal quando digo que a body talk das personagens não transmite o que estas estão a sentir. Não culpo minimamente os atores por isto. Até porque o elenco parece esforçar-se para conseguir entregar uma boa prestação. Aqui tenho de destacar o desempenho de Tye Sheridan a interpretar uma pessoa que está no espectro autista, numa prestação muito distinta de outras do género que estamos acostumados a ver – por exemplo em The Good Doctor, no Rain Man, etc. 

Acredito que estamos a viver um momento em que já começa a ser difícil levar para o grande ecrã histórias criativas e originais, mas, infelizmente, neste O Rececionista não consegui mesmo ver nada de inovador. Vários filmes já contaram histórias idênticas e este não tem nada que o destaque, até porque tem um desfecho previsível que em nada surpreende.

3/10
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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