segunda-feira, 20 de julho de 2020

"Skip, um Amigo Especial" (2000) a rebobinar

Penso que todos nós em crianças tivemos um filme favorito que fosse sobre a relação entre humanos e cães. Eu, por exemplo, adorava ver e rever o clássico pouco conhecido da Disney, Old Yeller (1957), que, infelizmente, não tinha um final assim muito feliz – o que é frequente nestes filmes, seguindo as leis da vida. Hoje podia falar sobre Old Yeller, no entanto já não o vejo há uns bons anos. O filme sobre o qual hoje escrevo, porém, tem algo em comum com este: o amor entre um cão e o seu dono. Refiro-me a Skip, um Amigo Especial de 2000, baseado no livro de memórias de Willie Morris. 


Antes de ver o filme (o que aconteceu apenas muito recentemente), li o livro. Não foi planeado. Acontece que o Diogo aqui da Companhia Cinéfila encomendou o livro – ele, por sua vez, vê este filme desde a infância –, mas com a minha morada nos dados de entrega. Ou seja, o livro de Morris teve uma estadia de uma noite na minha casa. E, por acaso, o livro tinha vindo de uma antiga biblioteca, tinha um aspeto velho e cheirava a mofo. O que eu adoro! Livros com alma e histórias… Então, comecei a olhar para o livro, com as suas cerca de cem páginas e pensei: “será que consigo lê-lo até amanhã?”. Foi uma pequena maratona literária, pois quando o comecei a ler já era quase o “amanhã”. Mas quando acabei a leitura percebi que tinha passado uma boa noite, com lágrimas a escorrer dos olhos. 

Percebi, depois de ler o pequeno livro, que Skip, um Amigo Especial não trazia o desfecho habitual destas histórias. Bem, por um lado sim, temos um desfecho trágico. No entanto, este dá-se de um modo natural, o que me surpreendeu. Aliás, chocou, pois ao longo de todo o livro estava receosa de que algo de mal acontecesse ou ao cão ou ao dono. E não aconteceu… 


Quando vi o filme fiquei encantada com as semelhanças, pois a obra literária parece ter sido seguida na sua maioria, abrindo apenas as asas para alguns acrescentos que em nada a prejudicaram. Gosto de ler um livro e depois ver o filme e ver tudo o que imaginei durante a leitura a ganhar vida. Neste filme, senti um certo aconchego, ao ver as memórias do escritor a serem ali interpretadas por atores de carne e osso, num elenco que consegue entregar performances poderosas, com algum destaque para o pequeno (na altura) Frankie Muniz (o rapaz de Malcolm in the Middle) e Kevin Bacon, que interpreta o pai do protagonista, num papel que nos deixa indecisos no que toca a saber o que pensar da personagem. 

A trama transporta-nos para os anos quarenta, onde conhecemos o pequeno Willie – de lembrar que a obra literária é a história do autor, que é aqui interpretado por Frankie –, um rapaz que não tem amigos (para além do seu vizinho atlético Dink) e sofre de bullying. De modo a mudar isto, os pais (mais precisamente a mãe) oferecem-lhe um cachorrinho, com o qual a criança cria uma boa amizade e aprende a crescer. 


Este filme destaca-se pelo modo como consegue apresentar as mudanças entre felicidade e tristeza, acompanhando a criança antes de ter o cachorrinho e depois, percorrendo os altos e baixos da sua infância, até ao seu crescimento e ao momento em que se afasta daquele seio familiar, no qual também se encontra Skip. É um filme sobre crescimento, amizades e sobre as pequenas coisas da vida, que tantas memórias boas nos trazem. Claro, para acentuar tudo isto temos uma banda sonora, daquelas que imediatamente nos deixam emocionados.

Skip, um Amigo Especial é o típico filme “ideal para toda a família”. No entanto, à medida que crescemos também ficamos a vê-lo com novos olhos. Eu bem sei que só o vi agora e que por isso não sei como reagiria se o tivesse visto há mais tempo. Porém, enquanto pessoa adulta posso dizer que os minutos finais do filme tiveram em mim algum impacto, assim como o livro também tinha tido. Acontece que aqueles últimos minutos existem para nos recordar que nada dura para sempre e que a vida vai passando.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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