terça-feira, 25 de agosto de 2020

"Lovecraft Country" - Episódio 2 ("Whitey's on the Moon") em análise

Depois de um episódio de estreia surpreendente na semana passada, o segundo capítulo de Lovecraft Country já está disponível desde ontem na HBO Portugal. A fasquia ficou elevada com o primeiro episódio e as expectativas para este eram altas, mas pairava a dúvida: será que a série é capaz de seguir o ritmo que impôs no primeiro? Infelizmente, talvez pela agradável surpresa inicial, este segundo episódio, chamado de "Whitey's on the Moon", na minha opinião, perdeu-se num argumento que queria ser demasiado complexo. 


No primeiro episódio tivemos o tema do racismo a ser estabelecido: vimos uma apresentação das famosas “sundown towns” (cidades em que os negros eram perseguidos e mortos depois do pôr-do-sol) e também a chegada dos monstros do imaginário de Lovecraft, que, aqui, são um perigo mínimo em comparação com o ódio de que os protagonistas são alvo. No final desse episódio, os três protagonistas – Atticus, Letitia e tio George – chegaram a uma grande mansão, a Ardham Lodge, que viria a ser o palco principal do episódio desta semana. 

Neste momento, parece-me claro que cada episódio conta uma história diferente, sendo apenas os protagonistas o elo entre cada um. O tema do racismo, claro, também estará sempre presente, assim como os monstros de Lovecraft, colocando constantemente a questão: quem são os monstros? As criaturas horrendas ou aqueles que perseguem os nossos protagonistas apenas pelo seu tom de pele? 


Na tal mansão deste episódio vivemos um cenário muito idêntico ao vivido em Foge, o filme de 2017 de Jordan Peele. Temos uma casa enorme onde só existem pessoas de pele branca. Os protagonistas chegam lá e, de repente, Letitia e George esquecem-se dos monstros da noite anterior, o que levanta logo as suspeitas de Atticus de que aquele não é um sítio onde são bem recebidos. Na verdade, os anfitriões – Christina Braithwhite e o pai, Samuel – têm grandes planos para Atticus: querem que este faça parte da próxima cerimónia dos “filhos de Adam”. No entanto, enquanto os protagonistas vivem situações estranhas naquela casa, descobrem que o pai de Atticus, Montrose, também passou por ali. 

Desta vez temos um episódio escrito por Misha Green e realizado por Daniel Sackheim. Entende-se desde cedo que o argumento é promissor, mas pode trazer complicações na sua realização, especialmente tendo em conta a duração do episódio com cerca de uma hora. Inevitavelmente, a determinado momento (logo após a sequência do pequeno-almoço) começa a sentir-se que está tudo a acontecer muito depressa, tornando-se até confuso em muitas sequências. É um episódio que ou nos deixa completamente agarrados e sem distrações ou, de outro modo, será difícil de acompanhar. Sente-se que há muita coisa a ser apresentada, nem sempre coerente, muitas vezes deixando o espectador sem contextos, pois não há informações suficientes. Para piorar, o clímax do episódio dá-se numa sequência em que o CGI não é dos melhores. Os efeitos estão fracos e, infelizmente, abafam a performance do ator Jonathan Majors, numa sequência em que a sua atuação (a mostrar uma sensação de agonia) devia ser o foco das atenções.


Em comparação com o primeiro episódio, que, sendo tão ambicioso, foi bem organizado e transparente na resolução das suas premissas, este parece apenas um batido de ingredientes variados, cujos sabores nem sempre combinam quando estão juntos. O ritmo do episódio ao início foi lento, apenas para depois acelerar de forma incompreensível, misturando muitas coisas ao mesmo tempo, sem apresentar explicações para tal. Mesmo assim, apesar de uma leve desilusão, pelos protagonistas vale a pena ver, pois, sendo estes personagens que facilmente conquistam a nossa atenção, continua a ser interessante ver o modo como se safam de situações tão diferentes, mas que têm sempre o racismo em comum. Agora é esperar por uma melhoria na próxima semana...
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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