sexta-feira, 21 de agosto de 2020

"Missão: Salvar as Férias" (2001) a rebobinar

O verão já esteve mais longe de terminar e Setembro está a chegar, mas, mesmo assim, acho que ainda podemos falar sobre um filme de animação que cheira a férias: Missão: Salvar as Férias (Recess: School's Out) de 2001, realizado por Chuck Sheetz. Eu não sei quanto a vocês, mas se há uma série de desenhos animados que marcou a minha infância foi Recreio, que costumava passar durante a tarde no Disney Channel. T.J., Spinelli (admito, era a minha favorita do grupo), Gretchen, Mikey, LaSalle e Gus eram o grupo perfeito de amigos que também eu gostava de ter, numa escola onde os intervalos eram os únicos momentos altos do dia, mesmo com o chatinho Randall sempre a fazer queixinhas à Muriel. Nesta série havia um pouco de tudo, gente fixe e gente que era gozada por não ser assim tão fixe. De um certo modo, sem saber na altura, alguns dos episódios traziam lições de vida, enquanto abordavam temas sérios, como o bullying. A série, que durou entre 1997 e 2001, apresentou muitas aventuras, mas foi o filme, sobre o qual hoje escrevo, que terminou uma era de intervalos. 


Missão: Salvar as Férias traz o último ano naquela escola para algumas das personagens, incluindo o “Rei” Bob que vai passar para o secundário. Não é o caso do grupo protagonista, pois estes apenas vão de férias. No entanto, todos têm planos, menos T.J. que estava a contar simplesmente brincar com os outros, não sabendo que todos tinham sítios para onde ir. Sozinho (ao som de “One is the Loneliest Number” dos Three Dog Night), T.J. anda de bicicleta pela cidade, mas ao passar em frente à escola dá de caras com algo muito estranho: umas luzes verdes a sair pelas janelas e um segurança musculado a vigiar o local. Percebe que algo ali não está certo e, por isso, chama o diretor da escola (com que nunca se deu muito bem)… Só que este é “destruído”. Em pânico, T.J. convoca os amigos, indo buscá-los aos campos de férias, numa questão de vida ou de morte. Este é apenas o início de uma aventura longe dos recreios, mas que pode colocar estes (sim, os recreios) em perigo. 

A primeira vez que vi este filme foi precisamente no Disney Channel e lembro-me que na altura estava muito entusiasmada para vê-lo, pois ia ser algo fresco, tendo em conta que a determinado momento os episódios da série já se repetiam vezes sem conta, especialmente quando a semana era especialmente dedicada a Recreio – não sei se se recordam, mas o canal fazia semanas com maratonas de determinadas séries, que ficavam a passar durante a tarde inteira. Também me recordo que quando o vi pensei que estava a faltar um pouco mais do grupo unido. No entanto, agora que o revi já não senti isso, pois o argumento é maior que o grupo em si, querendo também aprofundar personagens secundárias, como a Muriel e o diretor Prickly. Estes dois na série eram quase uns “empatas” no sentido de impedir os protagonistas de alcançar algo, mas aqui percebemos que eles também foram como T.J. e companhia. 


Se durante a série parecia que o tempo ficava parado nos intervalos – de um certo modo, os protagonistas eram sempre crianças, pareciam não crescer muito –, aqui vemos mais para além disso e, consequentemente, também o grupo de amigos cresce. A simples ideia de que a escola básica está a terminar para algumas das personagens já transmite a passagem do tempo, mas é precisamente através das memórias do diretor Prickly que se aumenta essa sensação de que a idade de Peter Pan não dura para sempre. Só que as memórias dos intervalos ficam eternamente… 

Este é um filme divertido, mas admito que sinto falta de uma maior presença de alguns elementos que tornavam a série ainda mais caricata. Por exemplo, as Ashleys (Ashley A, Ashley B, Ashley Q e Ashley T - “escandaloso!”), que aqui são quase figurantes, aparecendo por meros segundos. O próprio Randall também apenas aparece para fazer o que melhor sabe (queixinhas!), mas sem grandes protagonismos. Para um filme que serviu de despedida de uma série tão memorável, gostava que tivesse havido uma maior atenção a todas as personagens que tanto a marcaram. No entanto, como referi, aqui são Muriel e o diretor Prickly que ganham um maior destaque, precisamente por acentuarem a ideia de crescimento. 


Existem muitos momentos cómicos, assim como a série nos habituou, até porque as personagens são caricaturas, seguindo muitos estereótipos, mas há aqui um tom mais adulto do que na série. Se na série sentia-se que era tudo direcionado para crianças (ainda que também fácil de desfrutar por adultos), aqui inevitavelmente há a ideia de que já se direciona mais para pré-adolescentes, adolescentes e adultos. Não há tanta diversão, pois há alguma preocupação a pairar pelo ar, visto que temos um grupo de crianças a tentar salvar o dia, mas também com um certo receio de que a vida os leve por caminhos distintos.

Não sendo uma das melhores produções da Disney, e tendo até caído um pouco no esquecimento ao longo dos anos, esta longa-metragem continua a ser perfeita para aqueles que viam e reviam os episódios de Recreio. É um filme animado e divertido, ideal para miúdos e graúdos. É sempre bom recordar!
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

Sem comentários:

Publicar um comentário