quinta-feira, 6 de agosto de 2020

"Posto de Combate" em análise

Chegou esta quinta-feira aos cinemas um novo drama de guerra baseado em factos verídicos: Posto de Combate, realizado por Rob Lurie, narra a história de cinquenta e quatro soldados dos EUA que foram enviados para um posto avançado de combate no Afeganistão. No entanto, este é um posto quase desprotegido, onde o inimigo tem uma visão de tudo o que está a acontecer, ao contrário destes soldados. 


Começando com um ritmo lento, que permite acompanhar a chegada dos soldados e a sua habituação àquele lugar inóspito, os primeiros minutos dão a oportunidade de o espectador ficar a conhecer cada uma das personagens, os seus nomes e posições, através de legendas. Isto torna-se fundamental no segundo ato do filme, em que se entende a presença de hierarquias e temos os homens a depender das ações uns dos outros e muitas vezes a simplesmente tratarem-se pelo nome das suas posições militares e não pelo nome próprio.

No segundo ato começamos a perceber que o inimigo está sempre à espreita, com o surgimento de explosões ocasionais. Destaco o momento da ponte, em que temos quatro soldados e a câmara acompanha o percurso dos dois últimos, aproximando-se e distanciando-se depois para um momento mais tenso. Tudo começa a encaminhar-se para o culminar da narrativa, com a representação da Batalha de Kamdesh (que foi o único ato de bravura da Guerra do Afeganistão a ser galardoado com a mais alta patente de valentia militar, numa guerra com dezoito anos de duração). 


No momento da guerra, os movimentos da câmara dão a oportunidade ao espectador de seguir cada passo, quase como se lá estivesse. Acompanhamos toda a dinâmica daquele momento, o receio dos soldados e o modo como estes tentam salvar-se. Temos sequências muito intensas, em que simplesmente não sabemos onde vai ocorrer a próxima explosão. Simplesmente sentimo-nos como aqueles homens, que naquele posto de combate seriam quase carne para canhão se não tivessem uma boa comunicação entre si. Muitos filmes de guerra perdem-se nos momentos de batalha, mas este ganha muitos pontos com o seu segundo ato, em que existe uma clara consciência do que se quer mostrar e como. 

Como referi, a primeira parte do filme é mais calma, focando-se mais na habituação ao local. Temos momentos de amizade e companheirismo, com os soldados a cantar e a tocar guitarra, mas também alguns de saudade, em que estes recordam as famílias que deixaram pela guerra. Aqui gostaria de mencionar a sequência dos telefonemas, em que cada um tem a oportunidade de contactar aqueles que lhe são mais próximos. É interessante ver como foi feita a construção de cada personagem, determinando logo ali a personalidade de cada um, pelo modo como estes falam ao telemóvel, o que dizem e o que deixam por dizer. 


No elenco do filme temos algumas caras conhecidas, como é o caso de Orlando Bloom, Scott Eastwood e Caleb Landry Jones. No entanto, não sentimos que estamos a ver atuações, mas sim a realidade, com os verdadeiros soldados, tal é a dinâmica. No final, ainda mais sentimos isso, ao ver fotografias dos homens reais em comparação com os atores, mostrando o excelente trabalho de casting e de caracterização do filme, com atores a tornarem-se nos homens reais também em termos de aparência. 

Posto de Combate apresenta um retrato fiel da guerra. Não sentimos que estamos a ver um filme com uma recriação, mas sim os acontecimentos reais, tal é a envolvência ambiente. Consegue destacar-se de outros filmes do género feitos nos últimos anos precisamente por apresentar tudo de um modo cru, sem grandes efeitos. Vale muito a pena ver.

7/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

Sem comentários:

Publicar um comentário