quinta-feira, 10 de setembro de 2020

"A Beast in Love" em análise

Mais um ano, mais um MOTELX invade Lisboa. E, conforme a tradição, continuo a não comparecer em nenhuma sessão de abertura do evento. Mas posso dizer que fui à sala ao lado, onde exibiram A Beast in Love, um filme japonês que ninguém ouviu falar, isto até porque aquela sessão pode ser considerada uma estreia mundial. 


Vou igualmente admitir que não fazia ideia de que filme este era, qual a sua sinopse, ou quem mesmo estava por trás da sua produção, até mesmo o realizador desconhecia – mas, afinal, este já teve várias obras presentes noutras edições do festival. Mas é um terror japonês, por isso, logo aí, há um pouco de razão para chamar a atenção (especialmente se estes envolverem espíritos, o que, afinal, não era o caso deste). 

O filme segue um pequeno elenco de personagens. Duas delas têm o plano de fugir de dois homens que são extremamente perigosos, antes que estes decidam virar-se contra eles e sabe Deus o que eles fariam se isso acontecesse. Entretanto, pelas desertas ruas, anda também um travesti, que já ganhou a reputação de estrangular homens que tentavam fugir dele, fazendo-o sentir-se rejeitado no amor. 


É uma premissa extremamente simples para um filme de baixo orçamento, algo do qual o realizador se tem vindo a queixar profundamente durante o longo período da sua carreira. Mas isso não o tornou menos interessante e divertido, especialmente quando o travesti está em cena, roubando na totalidade o foco das outras personagens. Este torna as cenas um bocado absurdas, mas não a um ponto irritante que nos deixe com vontade de desistir de ver o filme ou semelhante, mas deixa-nos com vontade de continuar a ver esta personalidade. 

Esta acaba por ser a única que nos dá mais interesse em ver ao longo do filme, pois as outras personagens são monótonas e sem muito apego ou qualquer tipo de emoção que se possa tirar das mesmas. Temos, claro, o protagonista, mas penso que este seja uma espécie de oito ou oitenta no que diz respeito ao interesse tirado à personagem – irónico, contextualizando o filme. 


O filme pode ter muitas pitadas de humor negro ao longo da sua duração, mas acho que lhe fazia falta um pouco mais de gore, ou, pelo menos, coragem de mostrar a mesma. Pareceu que a maior parte das cenas em que envolvia ou arrancar ou cortar uma cabeça este não teve coragem de se manter focado na cena, “desviando” assim a câmara para outro plano, não mostrando sequer o estado em que as pessoas ficavam. Sim, é um pouco macabro dizer isto assim, mas, tendo em conta outros filmes que este realizador já fez (sendo um deles até banido no UK) pareceu um move bastante cobarde do realizador.

O filme, sendo de baixo orçamento, teve uma grande limitação no que diz respeito a espaços e efeitos especiais, por isso há muito pouco de ambos. Os espaços acabam por ser bastante vazios e sem qualquer carácter ou identidade, e acaba por ser chato estar a ir e voltar para os mesmos locais. A música, quando aparece, é de fazer abanar o capacete, especialmente graças à guitarra elétrica, e a música na batalha final é um bom exemplo de utilização de uma música que não parece acentuar bem uma cena mas que combina com ela na mesma. 


A Beast in Love é um filme em que se pode antecipar algo, mas, provavelmente, recebemos uma coisa um pouco diferente. Quando este não está a perder o seu tempo com longos diálogos em one takes monótonos, quase que muda completamente de género, e são nesses momentos em que diria que mais vale a pena ver o filme. Vale a pena ver pelo seu humor, mas penso que não terá nada mais assim de memorável que valerá a pena referir como marcante no futuro por vir. 

6/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

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