quarta-feira, 30 de setembro de 2020

A MONSTRA voltou ontem às salas, para celebrar 20 anos!

O Cinema São Jorge encheu-se de Animação esta terça-feira para receber a Cerimónia de Abertura da edição que celebra os vinte anos da MONSTRA - Festival de Animação de Lisboa. Para além de terem sido entregues os prémios das competições de curtas-metragens, que decorreram em Maio durante o evento especial e online MONSTRA em Casa, foram também apresentados, em estreias mundiais, quatro filmes: Setembro de Ricardo Mata, Katalog of Flaws de Marv Newland, The One-Minute Memoir de Joan Grantz e The Monkey de Lorenzo Degl’Innocenti e Xosé Zapata. 

The Monkey, de Lorenzo Degl’Innocenti e Xosé Zapata

Presencialmente, foi entregue o prémio SPA / Vasco Granja aos filmes Tio Tomás, a Contabilidade dos Dias de Regina Pessoa, que esteve representada por Sara Naves, e Purpleboy de Alexandre Siqueira, que subiu ao palco para explicar um pouco como correu a produção do filme. Adicionalmente, Alexandre Siqueira dará amanhã uma Talk MONSTRA, intitulada “Purpleboy – Uma Aventura de 8 Anos de Criação”. Esta será no Cinema Fernando Lopes - Universidade Lusófona, às 19h, depois da sessão MONSTRA e o MUNDO e será também transmitida via Zoom Webinar. Esta opção, contudo, estará limitada aos primeiros cem participantes a entrar, através de um link fornecido pelo festival. 

Também o realizador Bruno Caetano subiu ao palco para receber uma menção honrosa por O Peculiar Crime do Estranho Senhor Jacinto e Pedro Brito recebeu o prémio de escolha do público com Assim Sem Ser Assim, transmitido na RTP2 durante a programação especial da MONSTRA, mais precisamente da MONSTRINHA, que levou o festival até às pessoas, já que estas não podiam ir até ao festival. 

A Cerimónia de Abertura iniciou-se logo com a estreia de Setembro, filme de Ricardo Mata em que este faz uma dura crítica ao modo como os lisboetas têm sido tratados, numa consequência do turismo. Quis a ironia que o filme estreasse já no final do mês de Setembro, sendo que se tudo tivesse corrido bem teria estreado em Março. Aqui, Ricardo Mata leva-nos para o interior das casas em Lisboa, mostrando elementos que facilmente associamos à capital: como manjericos e sardinhas, que nos lembram os Santos Populares. Assim se inicia uma curta que mostra que aquando da chegada de novas pessoas muitos são levados ao despejo, especialmente aqueles que já moravam na cidade há muito tempo, com uma crítica que levou o próprio realizador a dizer que “espera que a Câmara não se tenha chateado”. 

A segunda curta-metragem a ser apresentada em estreia foi o caótico Katalog of Flaws de Marv Newland (que viria também a ter mão da terceira curta a ser exibida). Este é um filme sem fim; ou, aliás, com vários fins que nunca acabam. Temos uma arte abstrata, mas que nos consegue levar ao riso, tais são as situações apresentadas. Katalog of Flaws é bizarro e será difícil explicar do que se trata, mas consegue entreter e, de certa forma, deixar-nos um certo impacto. 

Por sua vez, em The One-Minute Memoir, da realizadora norte-americana Joan Gratz, que ganhou um Óscar em 1992 com Mona Lisa Descending a Staircase, temos uma mixórdia de histórias e segmentos de vários autores, cada um com cerca de um minuto de duração: Jim Blashfield fez o segmento “Substation 9”, Paul Driessen “Places where I ate”, Marv Newland “Larry the Sowbug”, Diane Obomsawin “Transatlantic”, Janet Perlman “I am Born”, Bill Plympton “A True Story”, Dennis Tupicoff “The River”, Theodore Ushev “Aunty Bock Bock” e Chel White fez “Dreams of a Fallen Astronaut”. Ou seja, quase se poderia dizer que esta é uma curta formada por micro-curtas, sempre com temas e artes muito distintas, levando a uma obra onde reina a criatividade e a diversidade. 

Setembro, de Ricardo Mata

Por fim, a cerimónia terminou com aquele que, nas palavras do diretor artístico Fernando Galrito, seria o “filme mais quente”, visto que tinha acabado de sair da pós-produção para ter a sua estreia no grande ecrã. The Monkey, de Lorenzo Degl’Innocenti e Xosé Zapata, uma produção da Sardinha em Lata, traz uma história emotiva passada na Armada Espanhola, numa guerra entre Espanha e Inglaterra, onde os ingleses tinham ordens para matar qualquer espanhol. Aqui, porém, somos também introduzidos às crianças que eram mandadas na armada, como um trunfo. Começamos por ser apresentados a três personagens: um homem, um menino e um macaco, que parecem estar a ter um naufrágio. No entanto, o macaco é o único a chegar a terra e a ser julgado, simplesmente por fazer parte da Armada. Ora, o tema desta curta-metragem é o racismo, abordando esta temática de um modo diferente, pegando num tempo e num significado histórico. 

Durante o dia de hoje a MONSTRA fez uma pausa, mas a partir de amanhã regressará às salas com sessões diárias no Cinema City de Alvalade e na Cinemateca, entre outra salas. A programação e os horários podem ser consultados aqui ou na aplicação do festival.
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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