segunda-feira, 28 de setembro de 2020

"Enola Holmes" em análise

O que não falta por aí são adaptações relacionadas com o detetive Sherlock Holmes, seja em filmes ou em séries. Talvez por isso, a nova aposta da Netflix decidiu entregar o protagonismo a outro membro da família Holmes: Enola, a irmã mais nova de Sherlock, cujo nome ao contrário se lê “alone”, e logo por aí temos a premissa desta história, em que a jovem é deixada sozinha pela mãe, com quem sempre viveu a sua vida, no dia do seu 16º aniversário.


Enola Holmes é aqui interpretada pela já estrela da Netflix Millie Bobby Brown (a Eleven de Stranger Things) e desde cedo percebemos que esta, assim como várias das personagens femininas que vão passando pelo seu caminho, tem um maior desenvolvimento de carácter do que, por exemplo, os seus irmãos. Sente-se um grande empoderamento feminino, com mulheres muito fortes – o que é logo mostrado na sequência da educação de Enola, em que aprende com a mãe, até a lutar –, o que acaba por ofuscar todos os homens presentes, seja o próprio Sherlock (interpretado por Henry Cavill), Mycroft (Sam Claflin) e até o “interesse amoroso” Tewkesbury (Lewis Partridge). Pessoalmente, senti necessidade de ver um pouco mais da personagem Sherlock Holmes em específico, pois, apesar de não ser o protagonista desta história, entende-se que vê um pouco de si na própria Enola, o que me levou a querer ver mais momentos dos dois em conjunto, também para perceber melhor o modo como Cavill desempenha este papel. 

Este é um filme que recomendo que se veja sem grandes expectativas. Esqueça-se por completo a sua relação com o nome Sherlock Holmes, que geralmente pede qualidade. Na verdade, o que temos aqui é uma daquelas longas que se virmos sem expectativas podem surpreender, mas caso contrário podem desiludir, isto porque a determinado momento, aquilo que poderia ser um grande mistério, vai buscar vários clichés e inclusive transforma-se numa quase comédia romântica, sem necessidade de tal. Eu gostava, por exemplo, que a personagem de Enola não se tivesse encontrado com o tal Tewkesbury, pois a partir daí a narrativa alterou-se por completo, parecendo mais um romance adolescente do que um filme de mistérios e crimes. 


Admito que a realização me lembrou um pouco filmes como O Rei dos Gazeteiros (1986), pelo modo como Enola fala com o espectador, olhando diretamente para a câmara, à medida que vai desvendando novas pistas e também referindo curiosidades sobre si. Isto levou-me a criar uma maior empatia com a personagem e também a adquirir conhecimentos mais amplos, quase tendo a capacidade de prever como esta iria reagir em determinadas sequências. 

Para mim, Enola Holmes podia ter tido um argumento mais trabalhado, com maiores enigmas e cenas menos previsíveis. Parece-me um filme curioso para se ver uma vez e, quiçá, até lhe achar uma certa graça, pois tem bons momentos cómicos, no entanto perdeu uma oportunidade de se tornar num filme memorável e de tornar a irmã de Sherlock Holmes icónica. Resumindo, é um filme bom para se ver enquanto se come algumas pipocas.

6/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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