terça-feira, 1 de setembro de 2020

"Lovecraft Country" - Episódio 3 ("Holy Ghost") em análise

Depois de um episódio com monstros e de outro com bruxos, agora Lovecraft Country traz mais uma forma sobrenatural: fantasmas! E já está claro que cada episódio tem apenas em comum as suas personagens e o racismo, apresentando sempre cenários diferentes que colocam os protagonistas em situações cada vez mais bizarras, das quais nem sempre é fácil escaparem. Será que o episódio desta semana foi melhor que o da segunda-feira passada?


“Holy Ghost” foi o nome deste terceiro episódio e aqui temos Letitia Fuck*ng Lewis a carregar tudo às costas novamente, depois de comprar uma casa para acolher outras pessoas da comunidade, com dinheiro que supostamente terá recebido de herança da mãe – o que, para quem viu atentamente os outros dois episódios, levanta logo algumas dúvidas em relação à sua veracidade. Infelizmente, a compra da casa traz acontecimentos menos felizes, com alguns vizinhos brancos a fazerem um cerco de ameaças. Quando digo que Letitia foi quem carregou este episódio às costas é porque foi esta que entregou as sequências mais icónicas, desde um momento de raiva a partir tudo o que lhe aparecia à frente a outro em que libertou toda a sua fúria numa luta contra os fantasmas, em plena união com o sobrenatural, que mostra a importância de gritar um nome e de conquistar a justiça. 

Infelizmente, com Letitia a chegar-se tanto à frente, Atticus ficou um tanto oculto, já para nem referir outras personagens. Ainda assim, houve um desenvolvimento especial na relação de ambos, mostrando que continua a ser dado foco ao crescimento de cada um em termos de narrativa. Até porque esta é uma série que tem os alicerces apoiados nas suas personagens e também nas grandes performances dos atores, que conquistaram os espectadores com muita facilidade, especialmente Jurnee Smollett e Jonathan Majors.

Em comparação com o episódio anterior, neste tivemos uma grande melhoria em termos de coerência e também nos efeitos, que no outro foram fortemente criticados. Neste, mesmo não tendo sido extraordinários, tivemos efeitos suficientemente bons. Já no que toca ao conto – pois como já referi parece que cada episódio forma um conto –, este também foi mais interessante, até porque o anterior foi confuso e apressado. Neste houve tempo para explorar a casa de Letitia, dar a conhecer o novo espaço, e só depois é que se passou para a ação, com o “confronto” final. 


Apesar de termos tido neste terceiro episódio mais um passo em frente, em comparação com o abismo que foi o segundo capítulo, a verdade é que devia haver uma maior coerência entre episódios, tendo em conta que os protagonistas são os mesmos, mas reagem como se os acontecimentos anteriores não tivessem acontecido, pois são sempre referidos com brevidade e mantidos em segredo. Admito que também as diferenças entre storytelling de episódio para episódio estão a tornar a série desconectada, pois cada episódio tem um estilo diferente e o que os une nem sempre parece suficiente. Pelo menos no final deste tivemos uma ligação a outra personagem que já tinha aparecido, deixando a ideia de que nos próximos haverá algo mais linear.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

Sem comentários:

Publicar um comentário