terça-feira, 15 de setembro de 2020

"Lovecraft Country" - Episódio 4 ("A History Of Violence") em análise

O quarto episódio de Lovecraft Country, estreado na passada segunda-feira na HBO Portugal e com o nome “A History of Violence” trouxe-nos um cenário totalmente diferente, que até relembra os filmes de Indiana Jones. Aqui fomos levados a explorar uma espécie de grutas, enquanto os nossos protagonistas Tic, Letitia e Montrose procuravam explicações e pistas para alguns acontecimentos anteriores. Atenção, esta opinião e análise já está a ser publicada com um certo atraso, pois neste momento já foi lançado o quinto episódio, que ainda não vi, mas que verei logo após a escrita deste artigo. 


As mudanças de cenário têm sido frequentes nesta série, cuja trama nem sempre parece ser ligada aos episódios anteriores. Porém, neste episódio já houve uma maior conexão, nomeadamente com o início de uma resolução do problema dos Filhos de Adão. Assim sendo, houve uma grande influência do segundo episódio, havendo aqui um forte regresso de personagens que se destacaram nesse episódio. 

Christina Braithwhite regressou, assim como William, quase apenas para nos deixar com uma grande dúvida. Se, por um lado, vimos William a aproximar-se da irmã de Letitia, na verdade quem levantou maiores suspeitas foi Christina, especialmente numa sequência que envolveu arbustos. Ora, se pensarmos desde início nunca vimos estas duas personagens juntas em cena, mesmo com eles a morar na mesma casa. E se olharmos bem para eles, são ambos extremamente loiros e com olhos da mesma cor. Será, então, que são a mesma pessoa? Terá Christina o poder de se transformar? Isto é algo que faria todo o sentido, pois a própria personagem queixa-se com frequência das oportunidades que não tem apenas por ser mulher. Este será um ponto que poderá vir a confirmar-se, ou não, nos próximos episódios. 


Em “A History Of Violence” também descobrimos uma nova personagem que poderia apresentar muitas respostas, não tivesse Montrose tido a ideia de a/o matar, num ato que levanta muitas dúvidas acerca das suas intenções. Na verdade, apenas fomos introduzidos a Montrose depois do seu desaparecimento e é difícil saber como este reagia antes, no entanto parece estar sempre confuso e estranho quando entra em cena, quase como se estivesse sob o controlo de alguém ou, quem sabe, até mesmo possuído por alguma força. 

Em termos de avanço na narrativa será difícil saber o quanto este episódio terá avançado no objetivo de Lovecraft Country. Como cada episódio apresenta algo diferente, parecendo existir pouca conexão entre eles, mantém-se apenas a abordagem ao racismo como tema em comum, ainda que neste episódio não tenha sido tão ressonante. Como referi no início, aqui mais parecia que estávamos a viver uma aventura dos filmes de Indiana Jones, com vários perigos em cada canto no lugar inóspito que os protagonistas exploraram. 


Se por um lado o facto de os episódios serem todos tão distintos faz com que nos mantenhamos interessados no que poderá acontecer de seguida, por outro continuamos sem norte e sem perceber até onde isto pode ir. Por enquanto, os protagonistas conseguem cativar o nosso interesse, mas começa a notar-se cada vez mais um empobrecimento da força de cada episódio, ainda que este não tenha sido desagradável.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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