quinta-feira, 24 de setembro de 2020

"Lovecraft Country" - Episódio 6 ("Meet me in Daegu") em análise

Depois de um quinto capítulo que pôs os anteriores protagonistas em segundo plano, seria de esperar que o episódio desta semana de Lovecraft Country voltasse a colocar Atticus e Letitia em primeiro lugar, tendo em conta que, verdade seja dita, até então estas personagens estavam a ser um dos maiores destaques desta série. No entanto, desta vez voltaram a não ser o centro das atenções. Neste episódio, intitulado “Meet me in Daegu”, recuámos no tempo e fomos para a guerra que Atticus tanto refere e descobrimos um pouco do seu passado. 


Uma nova personagem surgiu e será difícil saber até que ponto terá impacto na história, visto que marca presença no passado. Ainda assim, esta personagem revelou ser de grande importância para conhecermos melhor Tic. Isto porque ambos viveram uma grande paixão, ainda que fugaz. Ji-Ah, interpretada por Jamie Chung, é uma mulher com uma vida bizarra, especialmente por ser o resultado de um pacto da sua mãe. Por outras palavras, é por muitos considerada um monstro, quase inexplicável, e tem a tarefa de atrair homens, que se tornam em vítimas. Vemos Ji-Ah a matar, em sequências cheias de explosões de sangue, até nojentas, mas somos incapazes de a considerar um monstro, especialmente quando a ficamos a conhecer e vemos o seu lado sensível e o seu sofrimento e o reconhecimento de que o que está a fazer não é certo, mas que para ela é fundamental. 

Ao início será difícil situar este capítulo na narrativa, mas quando vemos Atticus num grupo de homens a matar mulheres por serem suspeitas de ser espias não restam dúvidas de que estamos no meio da guerra que o protagonista tantas vezes refere e que várias marcas lhe deixaram. Inevitavelmente, descobrimos a ligação entre este e Ji-Ah e também o modo como esta o atraiu, com o objetivo de o tornar em mais uma vítima, mas acabou por se apaixonar. 


Se nas outras opiniões sempre achei que Atticus e Letitia eram perfeitos um para o outro, depois de ver este episódio já não tenho assim tantas certezas. É que aqui temos momentos muito doces entre Atticus e Ji-Ah, nomeadamente a sequência da sessão de cinema, que é deliciosa. No entanto há sempre aquela ideia de que este casal simplesmente não resultaria: em primeiro lugar porque Atticus é um militar e faz parte do grupo que matou a melhor amiga de Ji-Ah; em segundo porque a mulher não é normal, podendo até ser perigosa tanto para ele como para si mesma. Inevitavelmente tenho ainda que referir que este episódio estraga um pouco a imagem do próprio Atticus, pois é como se estivéssemos a ver o seu lado negro, uma faceta que ainda não conhecíamos. 

“Meet Me In Daegu” foi realizado por Helen Shaver e entregou-nos algo completamente diferente. Foi um episódio num tempo e espaço distintos, mas que cumpriu o seu objetivo de recuperar o passado do protagonista e, acima de tudo, de deixar o presságio da sua morte, anunciado pela própria Ji-Ah. Novamente tivemos a apresentação de mais uma personagem que até então ainda não tinha sido referida, mas que trouxe mais algum empoderamento feminino a esta série que já tão bem trata as suas mulheres – é de reforçar a importância das personagens femininas, que assumem o controlo total de todas as sequências em que se inserem, seja Letitia, Christina Braithwhite, Ruby Baptiste (no episódio anterior) ou agora Ji-Ah; todas elas têm grandes desenvolvimentos, aumentando o nosso interesse. 


Por fim, falta referir que a história de Ji-Ah por si só consegue deixar-nos interessados. Queremos descobrir mais sobre esta personagem e facilmente veríamos um filme só sobre ela, tal é a sua estranheza, paralelamente com o seu lado tão humano que nos cativa. Esta também aparece muito bem representada pela atriz Jamie Chung, que lhe entrega uma beleza única. 

Admito que este episódio foi um dos meus favoritos até agora, a par com o primeiro que foi uma perfeita surpresa. Desta vez a realização foi muito inteligente e o argumento deu-nos tempo de refletir sobre o que estávamos a ver. Também os efeitos melhoraram, tendo em conta que em alguns episódios pareciam estranhos. Ou seja, dito tudo isto, esta semana houve uma grande melhoria em Lovecraft Country.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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