sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Primeiras impressões de "We are Who we Are" (Episódio 1 - "Right Here Right Now")

Luca Guadagnino, apesar de já ter feito diversas longas-metragens sobre vários temas, tem vindo, nos últimos anos, a ser essencialmente reconhecido pelo seu filme inspirado na obra literária de André Aciman, Chama-me Pelo Teu Nome (2017). Talvez por isso, tornou-se num realizador também associado a histórias ligadas à comunidade LGBT e também às ditas coming of age. Desta vez, Guadagnino regressa não com um filme, mas sim com uma série dentro do tema: We Are Who We Are, que estreou no passado dia 14 de Setembro na HBO Portugal e terá episódios lançados semanalmente à terça-feira. 


Todos os episódios (pelo menos até ao quarto, pois os títulos só foram revelados até aí) têm o mesmo nome, “Right Here Right Now”, sugerindo a continuidade da história. Aqui somos levados para um posto militar americano em Itália e acompanhamos o jovem Fraser Wilson, filho de Sarah, a nova general do local. Wilson está claramente contrariado em relação à mudança, mas neste episódio começamos a vê-lo a tentar explorar as redondezas e a conhecer novas pessoas, com destaque para Caitlin Poythress, que se torna numa figura central nos últimos minutos do primeiro capítulo. 

Fraser Wilson, interpretado por Jack Dylan Grazer – ator de It (2017) e Shazam! (2019) – é uma personagem sobre a qual não conseguimos imediatamente formar uma opinião, talvez por desconhecermos o seu passado, marcado por ter “duas mães”. Quiçá, talvez tenha sofrido bullying, o que revela os motivos da estranheza e hesitação com que interage com as pessoas que o rodeiam. Percebe-se, pelos seus vícios, modo de vestir e falar, que vive no seu mundo, mas que está disponível para novas aventuras que o tirem da toca, pois na verdade é um rapaz rebelde. É quando este começa a juntar-se a um grupo de outros adolescentes que moram com os pais naquele posto de comando que começamos a vê-lo mais à vontade e é através dos seus olhos que também ficamos a conhecer as outras personagens. 


O primeiro episódio ainda não teve muito avanço na narrativa, mas serviu para estabelecer a localização da trama. Fomos apresentados ao posto de combate e a todos os serviços que nele existem, assim como aos arredores, com destaque para a praia, que, certamente, será o centro da ação dos próximos episódios. Ou seja, através deste episódio ainda não conseguimos saber ao certo qual será o rumo da série, mas pelos minutos finais suspeita-se que será uma história de amadurecimento e de descoberta pessoal. 

Caitlin Poythress, interpretada pela estreante Jordan Kristine Seamón, torna-se num destaque inicialmente pelo modo suspeito com que olha para Fraser, mas, de seguida, percebemos que esta tem um segredo: disfarça-se de rapaz para ir a um bar conhecer raparigas (não revelando que é rapariga). Nos minutos finais, temos um confronto com Fraser, em que este lhe pergunta por qual nome a deve tratar, terminando o episódio com este clímax que certamente servirá de ponte para os próximos acontecimentos. 


Apesar de ter sido um episódio com um ritmo lento, esta estreia conseguiu limitar o seu tempo e espaço e apresentar as personagens, não apenas os protagonistas, mas também as secundárias, como é o caso de Sarah (Chloë Sevigny) e Maggie (Alice Braga) – ficamos a saber que têm uma relação um tanto complicada, especialmente por Sarah se achar soberana. Certamente os próximos episódios vão ter mais por apresentar sobre estas duas, mas depois da revelação final suspeito que Caitlin vai ser mesmo quem mais momentos de ação vai trazer para a série.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

Sem comentários:

Publicar um comentário