domingo, 6 de setembro de 2020

"Regresso a Itália" em análise

É curioso pensar que muitos filmes ingleses que tomam lugar em Itália não são passados nos dias de hoje, mas sim há uns anos. Talvez seja mais fácil enquadrar as pequenas vilas ao redor dos grandes centros italianos noutras décadas. Por este motivo, é de louvar que Regresso a Itália, filme que chega na próxima quinta-feira, dia 10 de Setembro, aos cinemas, nos leve para uma Toscana atual, ainda que caia logo no erro de enganar o espectador e dar a entender que vamos explorar a região. 


Este é um filme realizado por James D’Arcy, mais conhecido por ter feito parte do elenco de Dunkirk (2017) e que se estreia assim na realização de longa-metragens, e protagonizado por Liam Neeson e pelo seu filho (na vida real) Micheál Richardson. Assim como o nome em português indica temos um regresso a Itália, mais precisamente a uma casa de família que ficou abandonada depois de uma tragédia familiar. Jack (interpretado por Richardson) vive em Inglaterra e está em fase de divórcio. Ruth, a sua (ex-)mulher quer vender uma galeria de arte que pertence à sua família, mas que para Jack é como uma casa, o único local onde se sente bem. Então, este sugere comprar a galeria e, para tal, tem de pensar numa maneira rápida de fazer dinheiro: vender a casa na Toscana é a solução ideal. Repentinamente, viaja com o pai (Neeson) para aquele local onde já não estava desde os sete anos e encontra uma casa a necessitar de obras com urgência. Pelo aspeto, pouca gente aceitaria comprar aquela casa, mas a vista compensa tudo e será esse o elemento essencial para que Jack decida o que realmente quer fazer com a sua vida. 

Infelizmente, parece-me que o nome do filme não consegue mostrar o seu tema e acredito que muita gente vai querer vê-lo a contar com cenários do país. Talvez até se recordem do recente Chama-me Pelo Teu Nome (2017), que mesmo em segundo plano tinha mais de Itália do que este, um melhor cartão de visita. Aqui o tema é uma relação entre pai e filho que foi destruída após a morte da mãe. Não há muita comunicação entre ambos e percebe-se até um certo desconforto quando estão sozinhos. Claro, com o decorrer da narrativa começa a ser reconquistada uma maior familiaridade e estes ganham a coragem de interagir mais um com o outro e é nesses momentos que o filme ganha um maior interesse, ao mostrar um lado mais emocional e tão natural nesta relação de parentalidade. 


A interação entre os protagonistas é real, ou não fossem estes pai e filho, e com uma história de vida muito idêntica à retratada, e sobre isso há pouco a dizer. Infelizmente, o restante elenco deixa um pouco a desejar em termos de representação, com reações exageradas, olhares estranhos, deixando uma sensação quase constrangedora. Felizmente, acabam por ter pouco tempo de antena, pois o maior foco é mesmo Neeson e o filho e também a casa, que quase se apresenta como uma personagem e com uma personalidade apresentada através da sua decoração, essencialmente pela parede pintada pelo pai, que, para além de transmitir com facilidade como este se sentia no momento da morte da mulher, é quase como se fosse a própria casa a gritar, com raiva e agonia. Nesse sentido, temos muita simbologia, que foi a maneira encontrada para “apresentar” as personagens. 

Este é um filme de drama, em que a relação entre pai e filho conseguem agarrar o espectador. Infelizmente, ao redor disso não tem nada mais que o marque, com outras personagens vazias e sem grande interesse. Valerá a pena ver pela relação familiar dos protagonistas e talvez por alguns momentos de maior tristeza, que estão muito bem executados e conseguem arrebatar por completo o público.

5/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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