sábado, 12 de setembro de 2020

"Relic" em análise

Há muitos filmes por aí que deixam a cabeça de uma pessoa baralhada, ou seja para tentar perceber a história ou por não sabermos que opinião final ter, por mais que se reflita no que foi acabado de ser visto. Relic enquadra-se, definitivamente, como um desses filmes. E admito, desde já, que ainda é cedo para escrever sobre ele. Precisava de mais tempo para pensar, por isso estas são as minhas primeiras impressões.


A comparação mais fácil que já vi a ser feita constantemente a este filme é a The Babadook (2014), outro filme de terror australiano. Mas ambos parecem-me bastante distintos um do outro e não vejo o quão fácil poderá ser comparar os dois, especialmente no que diz respeito a temas. Relic retrata uma família composta por uma avó, mãe e filha, todas com uma relação um pouco afastada, mas a filha e a mãe vêem-se obrigadas a voltar a encontrar-se com a avó, pois começa a haver uma degradação da saúde da mesma, e o dito reencontro leva a ocorrências meio estranhas na casa em que a idosa reside. 

Logo no início percebe-se que o filme trará algo de bom visualmente, com as luzes neon de natal a acender e apagar repetidamente, com a banda sonora a aumentar a atmosfera desolada que se manterá ao longo do filme. As cenas são lentas e duram o seu tempo para deixar tudo entrar, seja a mostrar os vários cantos sombrios da casa ou para vermos as quebras psicológicas das personagens. A falta de banda sonora em muitas das cenas também ajuda à inquietação em muitos momentos. 


O filme não tem medo de deixar a audiência a questionar o que se passa, e não se dá ao trabalho sequer de tentar explicar tudo, desenrolando-se naturalmente de maneira a que as respostas surjam conforme a necessidade das personagens. Este, claro, deixa sempre coisas em aberto e especulação para decifrar em futuras revisitas ao filme, podendo levar algumas coisas a debates entre cinéfilos. Mas penso que a intriga não deixa alguém assim tão curioso para ter vontade de saber o que se passa, ainda que, talvez, mais vontade de despachar a coisa.

Penso que o filme cairia completamente por terra se não fossem as interpretações das atrizes que desempenham estas três personagens foco. O filme tenta o melhor possível para humanizar estas personagens, e faz um bom trabalho nisso, em fazer-nos sentir nas peles principalmente da mãe e da filha, enquanto que a avó é o grande enigma, mas, de longe, a melhor interpretação do filme, especialmente devido à versatilidade que era exigida e conseguida. 


Mas o problema é: Relic não é um filme que facilmente recomendaria a qualquer um. O filme tem alguns bons elementos à volta de mistério, mas não tem tanto de terror como se poderia achar. Acaba mais por cair numa categoria de drama familiar com pitadas de suspense pelo meio, mas um suspense que nem sempre deixa inquieto ou interessado. E isto vindo de alguém que adorou o Babadook. Por isso, tal como se tem notado em várias críticas ou análises, é um filme que dividirá facilmente qualquer um que o veja, ou apenas deixará indiferente. Honestamente, não é um filme que me vejo a rever no futuro.

5/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

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