sábado, 26 de setembro de 2020

"Saint Maud" em análise

Por muitos filmes novos que o MOTELX possa exibir nas salas do São Jorge, há sempre um filme que chama a atenção dos fanáticos do género do terror, e todos os anos esse mesmo filme enche por completo a sala Manuel de Oliveira do cinema referido, até mesmo em época de pandemia, aparentemente. Este ano, o filme acabou por ser Saint Maud, produzido pela já aclamada A24, que andava no radar de muitos cinéfilos desde que teve o seu trailer exibido há poucos meses. Este filme era para sair na altura em que a pandemia começou, e, depois, surgiram rumores de que seria um dos primeiros filmes a ser lançados na reabertura dos cinemas nos EUA até a propagação do vírus no país ter piorado. Entretanto, aqui tivemos a sorte de o mesmo ter sido exibido no festival, ainda sem ter uma data de lançamento oficial. 


Eu digo mesmo que, por mim, se não fossem as retrospectivas em que passam filmes de culto, ou antigos, que já vi e revi – e adoraria ver mas no grande ecrã pela primeira vez –, e tendo em conta a nossa situação atual, Saint Maud muito provavelmente seria o único filme do festival que iria ver. Não foi o único que vi, obviamente, mas enfim. 

Saint Maud é a estreia da realizadora Rose Glass, com um argumento escrito pela mesma, e segue Maud, uma enfermeira que segue a religião à rasca, que, quando começa a ligar-se à sua nova paciente, decide fazer de tudo para salvar a sua alma antes que ela morra. 


O filme de terror não tem muito, mas utiliza o que tem ao ser dispor para trazer tanto terror físico como psicológico. A maior parte das cenas do terror físico estão ligadas a cenas grotescas que tanto levam a tortura como apenas a meros acasos cirúrgicos, e podem ser um pouco gráficas, mas nada que deixe o espectador em completo desconforto. É mais no terror psicológico e na improbabilidade do argumento e das ações das personagens que vem a curiosidade e leva o espectador a ficar perplexo a olhar para o ecrã, à espera que aconteça um desfecho, e, quando acontece, pode ser chocante. 

As interpretações estão incríveis, especialmente por parte de Morfydd Clark, que faz de Maud. Uma interpretação bastante reveladora e, talvez, uma que marque por completo a sua carreira. Esta consegue mostrar a personagem nas suas várias emoções, especialmente nos seus momentos mais baixos, e, nos momentos de loucura, a cinematográfica e a banda sonora ajudam-na a elevar a sua performance. O resto do elenco também faz um bom trabalho, mas é óbvio que o foco está todo em Maud, mesmo quando a maior parte das outras personagens estão em campo até o foco da lente está em Maud, mas não distrai das performances de qualquer maneira (e sem esquecer, claro, a Nancy, a barata creditada nos créditos finais do filme…).


Saint Maud, pelo marketing, faz parecer que o filme é realmente aterrorizador e chocante. E, em partes, é, porque do nada, em momentos do mais calmo e tranquilo possível, temos como um estalar de dedos que “acorda” um susto qualquer no filme, espantando o focado espectador durante a ação de tão inesperado que possa ter sido. Mesmo sendo um bom filme, com alguns bons momentos espalhados e boas interpretações, acho que com o tempo não haverá muita gente a falar do mesmo, pois não tem algo assim, digamos, destacável, em comparação com outros filmes do género que têm saído. É, mesmo assim, merecedor de se ver, pelo menos, uma vez. E acho que basta.

7/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

Sem comentários:

Publicar um comentário