sexta-feira, 9 de outubro de 2020

"A Fantástica Viagem de Marona" em análise

Um dos filmes que teve repetição no último dia em que a MONSTRA esteve no Cinema City de Alvalade foi A Fantástica Viagem de Marona, realizado por Anca Damian (realizadora de Crulic – The Path to Beyond), que na sua estreia já tinha causado muitas lágrimas a quem esteve presente, talvez por apresentar uma história com a qual todos (ou pelo menos a maioria de nós) vamos sentir uma grande proximidade, ainda que não sendo propriamente lamechas. 


A Fantástica Viagem de Marona começa com uma cadela a ser atropelada e depois apresenta-nos toda a sua vida, num rebobinar, naquele tempo em que acreditamos que toda a nossa vida passa pela nossa mente. Ou seja, não será spoiler algum dizer que a protagonista está morta, mas isso não nos impede de conhecer como viveu e quais os momentos que mais a marcaram, tudo contado pela sua própria voz (ou pela voz emprestada de Lizzie Brocheré). 

Com um estilo de animação experimental e muitas vezes quase abstrato, esta longa-metragem é extremamente colorida, com os seus cenários geralmente a variar entre uma palete de tons quentes ou frios, de acordo com o estado de espírito da pequena protagonista Marona, que é uma cadelinha que foi vendida a alguém que a despachou logo após o seu nascimento. Ainda cachorra, a pobre Marona andou de mãos em mãos e inclusive a viver na rua, até chegar ao seu segundo dono, o acrobata Manole, que nos leva para uma aventura dinâmica, em que a animação raramente ganha formas naturais, mas que nem por isso nos tira o interesse, aliás, só nos deixa mais entusiasmados por ver algo tão diferente! 


O argumento varia entre um tom cómico e um mais sério, dependendo sempre do que está a acontecer a Marona, que ainda que sendo um animal assume aqui uma faceta quase humana, já que temos acesso direto aos seus pensamentos. Como infelizmente muitas vezes acontece, a cadela é abandonada constantemente, passando de mãos em mãos, e nem sempre com boas paragens, visto que muitas vezes é maltratada ou simplesmente ignorada – ou seja, o resultado da sua história é uma montanha-russa de emoções, cuja maior descida é o final que nos deixa com o coração a palpitar e talvez a achar que a sua morte podia facilmente ter sido evitada, caso tivesse merecido a devida atenção. 

Este é um filme sensível, mas não excessivamente dramático, já que no final consegue contar uma história feliz, pelos olhos de uma cadela que podia ser qualquer um dos nossos animais de estimação. É também uma longa-metragem que marca pela diferença por nos levar para um “universo” tão distinto, onde a animação não é perfeita e ainda assim carrega grandes expressões e significados. E ainda que não tenha sido o meu favorito desta competição da MONSTRA, não me espantaria se fosse o vencedor.

7/10
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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