segunda-feira, 26 de outubro de 2020

"As Bruxas" (1990) a rebobinar

Esta semana chega aos cinemas, pelas mãos de Robert Zemeckis, o remake de As Bruxas, filme de 1990 realizado por Nicolas Roeg e baseado na obra literária de Roald Dahl. E é precisamente sobre esse original que hoje escrevo, de modo a antecipar a estreia do remake, que chega em boa hora para ser o filme de Halloween deste ano!


As Bruxas, de 1990, ficou essencialmente marcado pela presença de Anjelica Huston, atriz de papéis peculiares, icónica por ter vestido a pele de personagens diferentes, várias vezes ligadas ao sobrenatural e à fantasia, com destaque, claro, para a famosa Morticia Addams, dos filmes A Família Addams (1991). Anjelica Huston interpreta aqui a chefe de um grupo de bruxas, que detestam crianças e têm o grande plano de as transformar em ratos, para que seja fácil matá-las, sendo apenas necessário pisar os animais. No entanto, nem tudo será assim tão fácil de se concretizar… 

A premissa do filme é muito simples e a comunidade de bruxas é facilmente apresentada através da avó do nosso protagonista. É depois de um acidente que causa a morte dos seus pais que o pequeno Luke (interpretado por Jasen Fisher) passa a morar com a sua avó (Mai Zetterling), que lhe revela que conheceu uma bruxa, que aprisionou uma criança num quadro. E este é o primeiro elemento bizarro deste filme, que causou alguns traumas e controvérsias ao longo dos anos: temos uma criança a ser aprisionada dentro de um quadro numa parede e a envelhecer diariamente, até que determinado dia simplesmente desaparece. 


As Bruxas, ainda que apresentado para uma faixa etária mais infantil, foi um filme que não conseguiu estabelecer facilmente o seu público-alvo, visto que tanto parece demasiado assustador para crianças, como ao mesmo tempo tem momentos infantis para adultos (nomeadamente as interações entre as próprias crianças, quando estão transformadas em ratos). O remake tentou melhorar este aspeto, abdicando de alguns momentos que este original tinha e que podiam perturbar as audiências mais novas, mas, consequentemente, perdeu um pouco do impacto que este teve, já que aqui tudo acontece com um objetivo: dar uma lição do que é bom ou mau, terminando com uma mensagem de esperança. 

Ora, se durante cerca de uma hora de filme acreditamos que todas as bruxas são más, no final temos uma agradável surpresa: uma das bruxas decide ir contra a maré e mostrar que afinal há bruxas boas, deixando um sinal de esperança e colocando um ponto final no preconceito. É o típico final feliz, que aqui é uma cereja no topo do bolo, visto que durante o resto do filme apenas vimos as bruxas a cometer pecados, a fazer maldades e até a transformarem-se em criaturas horrendas (que, na verdade, é o que são quando estão sem os seus disfarces e perucas). 


Sente-se que o filme guarda vários truques na manga, seja no que toca a acontecimentos ou até em relação a personagens secundárias, como é o caso de Mr. Stringer (interpretado por Rowan Atkinson, o popular Mr. Bean), o gerente do hotel onde decorre a convenção das bruxas, que se torna num elemento chave para a resolução de variadíssimos problemas. 

As Bruxas é um filme que mistura drama, comédia e uma pitada q.b. de horror, através de ideias aterradoras, como é o caso da criança presa no quadro. Não se tornou propriamente um clássico e, verdade seja dita, até não envelheceu da melhor maneira, mas, ainda assim, é um filme muito bom para ver ou rever nesta altura do ano. E a prova disso é o lançamento do remake esta quinta-feira!
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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