quinta-feira, 22 de outubro de 2020

"Bangla" em análise

O vencedor da escolha do público da edição do ano passado da Festa do Cinema Italiano chegou hoje aos cinemas, para a sua estreia comercial. Bangla, realizado e protagonizado por Phaim Bhuiyan, apresenta-nos um jovem de 22 anos, oriundo do Bangladesh, que vive em Torpignattara, nos subúrbios de Roma. A sua família é tradicional e, como tal, Phaim está destinado a casar com uma mulher do seu país natal. No entanto, ele tem outros planos para si e é quando conhece Asia (interpretada por Carlotta Antonelli) que vê a sua vida a mudar por completo.


Muitas vezes narrado na primeira pessoa, pelo próprio Phaim, começamos por conhecer o seu ponto de vista em relação à cidade em que habita, levando-nos numa pequena viagem até aos subúrbios de Roma, onde somos introduzidos ao seu estilo de vida e ao local onde trabalha, tendo, assim, uma apresentação divertida, já que este fala num tom muitas vezes sarcástico e até crítico em relação à sociedade, admitindo várias vezes que é tomado por terrorista, pelo seu tom de pele “cappuccino” (nas palavras do próprio). 

Esta torna-se numa longa-metragem muito pessoal, já que conta a história do próprio realizador, mas com alguns elementos ficcionais. A brincar, Phaim acaba por mostrar como se sente e como foi recebido em Itália, onde é constantemente julgado como um estrangeiro, apesar de lá ter nascido e de ter conquistado a nacionalidade italiana aos dezoito anos – uma afirmação que, novamente, levanta a crítica do quão tarde as pessoas de famílias emigrantes conseguem conquistar a nacionalidade do país em que vivem, mesmo quando já lá nasceram. 

O argumento é muito simples e previsível. Lembra um pouco o Amor de Improviso (2017), realizado por Michael Showalter (e que contava a história de Kumail Nanjiani), mas não consegue aprofundar tanto os temas que procura desenvolver, acabando por ser apenas um filme leve e que servirá somente para passar um bom bocado, não conseguindo ser memorável. 


O elenco poderia ter feito um melhor trabalho no acting, pois alguns momentos sentem-se constrangedores por não estarem a ser bem desempenhados. Isto acontece especialmente com os atores secundários (as famílias e os amigos), que parecem estar presentes apenas para aparecer, quase como se nem tivessem ensaiado o que deviam dizer, até com expressões que não correspondem ao que dizem. A dupla de protagonistas, por sua vez, consegue ter a química suficiente para que consigamos simpatizar com ambos. 

Bangla destaca-se pelas suas críticas subtis e pelo seu tom cómico, mas é um filme que facilmente se esquece, tendo em conta que já existem vários, até melhores, a abordar os mesmos temas e a contar histórias muito idênticas. Ainda assim, não posso deixar de o sugerir a quem for fã de comédias e quiser apostar na italiana.

5/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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