sexta-feira, 30 de outubro de 2020

"Halloween" (2018) a rebobinar

A época das abóboras está mesmo ao virar da esquina e, infelizmente, devido à pandemia, a sequela ao filme de 2018 teve de ser adiada por um ano, ainda que ontem já tenha sido divulgado o primeiro teaser trailer de Halloween Kills. Por isso aproveitámos e revimos o filme “original”, realizado por David Gordon Green, e escrito pelo mesmo, e Danny McBride, que continuaram com uma estranha trend de comediantes que largaram o seu estilo habitual para fazer algo que envolva o género do terror.


Como mais recente entrada, este faz algo que os fãs da franquia já estão habituados: torna-se sequela direta a Halloween (1978) de John Carpenter, negando por completo os acontecimentos de Halloween 2 (1981), que também acaba por negar os acontecimentos de Halloween H20 (1998) e Halloween Ressurrection (2002), que, na altura, serviram de sequelas diretas a Halloween 2, também negando qualquer filme da franquia lançado entre esse período de tempo.

Sim, a franquia teve muitos altos e baixos, o que a levou a ter esses zigzags narrativos. Ainda antes deste, Rob Zombie realizou um remake e uma sequela, mas este último foi tão controverso e escandaloso que a franquia foi enterrada indefinidamente – se bem que, recentemente, este filme tem vindo a receber um estranho cult following, onde muitos começam a dizer que o filme, afinal, não é assim tão horrível...

O mais interessante neste regresso das cinzas de Michael Myers, para além de ter dois conhecidos comediantes por trás, é que teve o regresso de duas das figuras mais importes da série: John Carpenter  – que para além de realizar o filme original compôs a banda sonora das três primeiras entradas  conseguiu ser convencido a voltar a meter os pés na sua estimada criação para criar a banda sonora com os seus filhos; e ainda Jamie Lee Curtis, a rainha das Scream Queens, estaria de volta para interpretar a personagem que lhe deu fama.

Jamie Lee Curtis, sendo então a veterana do filme, dá provavelmente uma das melhores performances da sua carreira, mostrando que, afinal, ainda tem alguma afeição pelo material que a lançou na indústria cinematográfica (pois ela muitas vezes disse que já estava cansada de fazer estes filmes). Apesar de as outras performances do filme não estarem a este nível, estão boas na mesma. Há apenas atores que, devido aos papéis a que lhes foram atribuídos e às falas que lhes foram pedidas para ter no filme, não tinham muito por onde pegar e tiveram apenas de seguir o que lhes foi pedido, porque alguns dos diálogos que tinham eram realmente maus, mas talvez fosse para manter aquele charme dos slashers ao estilo antigo.

Mas essas pequenas partes de diálogo são facilmente esquecidas, graças à presença maligna de Michael Myers, presença essa que fazia falta na maior parte das outras sequelas do Halloween. Myers volta de uma forma mais impiedosa e mortal do que nunca, e, sem dúvida, a melhor parte do filme é perseguir a sua personagem pelos subúrbios de Haddonfield, até porque, visualmente, são as mais bem conseguidas. Só para não falar da banda sonora que o acompanha, porque John Carpenter está no seu melhor dando um acorde mais técnico e moderno ao que criou há já 40 anos. Se quiserem um exemplo, a faixa 12 do álbum é uma das minhas favoritas – sim, é tão boa que tive de arranjar o álbum para ouvir em casa!

Halloween não só é um dos melhores filmes do franchise como também é um dos melhores filmes de terror moderno, especialmente do estilo já meio falecido de slashers. Volta-se à forma impiedosa e inquietante a que a série em tempos foi conhecida, e torna-a apelativa à audiência atual. Se não fosse pelo argumento que ocasionalmente se torna demasiado preguiçoso ou pela edição em certas partes  mas isso é mais um nitpick do que realmente uma falha pois pouca gente irá dar por isso – acredito que teríamos aqui um filme que, talvez, se tornasse ao nível do original. Por pouco que não o é, mas que não seja por isso que não seja digno de ser chamado de Halloween.

QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

1 comentário:

  1. Nunca fui muito fã de filmes de terror, embora este seja um dos melhores filmes alguma vez realizado, tendo em conta a temática. Mesmo assim, não é um filme que queira voltar a ver tão cedo, ainda não esqueci por completo algumas das suas cenas...

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    Ella Morgan
    https://splitting-soul.blogspot.com/

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