segunda-feira, 5 de outubro de 2020

"Louis e Luca: Missão à Lua" em análise

As aventuras da pega Louis e do porco-espinho Luca podem não ser muito populares por cá, no entanto Louis e Luca: Missão à Lua é já o terceiro filme de uma trilogia que os acompanha e, na verdade, na Noruega até contam com uma certa popularidade. Estes são filmes em que o stop-motion se junta ao 2D na criação de cenários, garantido um resultado que se fosse falado em inglês teria, certamente, mais sucesso. Por cá, sabemos ler legendas, o que não prejudica minimamente a diversão que esta nova longa-metragem de Rasmus A. Sivertsen tem para entregar.


Louis e Luca: Missão à Lua é mais um dos filmes em competição na MONSTRA e talvez aquele que se pode levar com uma maior leveza, em busca de mais entretenimento e não tanto um filme que nos leve a pensar ou que nos toque nos sentimentos. Dito isto, é diversão garantida, pois seguir Louis e Luca numa missão quase impossível de chegar à lua traz uma grande dose de comédia incerta, pois nunca sabemos o que esperar dos planos apressados de Louis e do engenhocas Alfie, que mora com eles numa quinta afastada de tudo o resto. 

A premissa do filme é muito simples: existe a possibilidade de conquistar a lua e o primeiro país a aterrar no seu solo passa a ser o seu dono. Então, com o desejo de tornar a Noruega mais grandiosa, o governo contribui para que Alfie construa uma nave capaz de fazer tal viagem e Louis será um dos seus pilotos, assim como um dos representantes do governo. Claro está, acidentalmente o pequeno Luca também vai embarcar nesta viagem, que tem tanto de ambiciosa como de perigosa. 


Antes de mais, será talvez importante deixar claro que para ver este filme não é necessário ver os dois anteriores, pois conta uma história por si só. Ainda assim, contém algumas referências diretamente ligadas aos outros, como é o caso do queijo na lua, ligado ao anterior Louis & Luca – The Big Cheese Race (2015). Assim, este filme dá tempo ao espectador para ficar a conhecer os protagonistas, os seus sonhos e modos de vida, com alguns minutos iniciais que servem perfeitamente de introdução para quem ainda não os conheça. 

O público-alvo do filme são claramente as crianças e talvez por isso há sempre muita coisa a acontecer. Para tal, existem personagens específicas que contribuem para cativar a atenção até dos mais irrequietos, incluindo uma pivô a ser constantemente interrompida, ou até um jornalista “oculto”. Há uma grande dinâmica, não só focada nos protagonistas e na sua viagem à lua, como também a apresentar o modo como as outras pessoas estão a lidar com esta viagem – em determinadas sequências vemos até imagens das personagens nos seus lares, a aguardar ansiosamente a descolagem. E ainda que o filme seja para uma faixa etária mais nova, é preciso referir que conseguirá com facilidade cativar os adultos, não apenas pelas suas personagens, mas também por ter alguns easter eggs pelo meio que só estes reconhecerão. Por exemplo, há uma sequência completa que homenageia o 2001: Odisseia do Espaço (1968) de Stanley Kubrick. 


A animação stop-motion está com os tempos certos e não apresenta falhas. Percebe-se que é uma animação que, ainda que o orçamento não tenha sido muito elevado, está bem trabalhada e com uma boa atenção aos pormenores, o que não impede que se observe a alteração das posições nas personagens, especialmente nas que têm roupa, em que se percebe que foram tocadas, mudando às vezes durante os vários frames. Isto até se torna interessante para relembrar que cada movimento feito pelas personagens foi indicado por uma pessoa, o que às vezes esquecemos, tal é o realismo com que recebemos os filmes de stop-motion, quase como se fossem de animação 3D

No final, temos aqui mais um filme de animação que diverte e apresenta personagens fora do comum, como é o caso da pega que fala muito e do porco-espinho reservado, que tem na casa-de-banho um refúgio. Mesmo sem conhecimento dos filmes anteriores, consegue cativar-nos para acompanhar estas personagens na sua nova aventura, garantido sempre algumas gargalhadas.

7/10
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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