terça-feira, 20 de outubro de 2020

"Lovecraft Country" - Episódio 10 ("Full Circle") em análise

Parece que passou demasiado rápido, mas a verdade é que Lovecraft Country, a série criada por Misha Green para a HBO, acabou esta segunda-feira. Até ao momento, ainda não foi confirmada uma segunda temporada, mas depois deste episódio final, e com as boas audiências, isso parece quase inevitável, porque estamos perante uma das propostas mais arriscadas dos últimos tempos, visto que Lovecraft Country toca em pontos culturais sensíveis, à medida que também introduz elementos dos contos do mestre Howard Phillips Lovecraft. O que se segue contém spoilers.


“Full Circle” foi o nome deste décimo episódio e, pegando nos acontecimentos do capítulo anterior, começa por apresentar Atticus, Letitia, Montrose e Hippolyta a tentar salvar Dee da maldição que lhe foi lançada anteriormente. São bem-sucedidos, mas os esforços necessários para tal trazem o regresso de Titus e também de Christina, na sua incessante busca pelo Livros dos Nomes – que sempre esteve em posse da família de Atticus – para a realização de um feitiço que a tornaria imortal. O final do episódio já tinha sido premeditado por Ji-Ah, que regressa novamente para tentar salvar Atticus. Talvez não haja, então, grandes surpresas com os últimos minutos, mas o modo como tudo foi realizado terá, certamente, a capacidade de nos deixar surpreendidos. 

Este episódio soube brincar com tudo aquilo que a série foi introduzindo, especialmente com os poderes de Christina, que tiveram um grande impacto em alguns pontos fulcrais. Por exemplo, as suas capacidades de transformação foram muito importantes para uma reviravolta um tanto inesperada, que nos faz duvidar do destino de Ruby, com quem esta tão bem formava um casal (havia mesmo amor ali?), e que agora não sabemos se se mantém viva ou apenas num coma como o William. 


Desta vez vimos todas as personagens reunidas em momentos icónicos e memoráveis. Destaco, por exemplo, a sequência em que Atticus se dirige até à sua morte, numa viagem de carro alegre que reúne todos aqueles de quem gosta: Leti, Montrose, Ruby (vamos, simplesmente, acreditar que sim), Hippolyta, Ji-Ah e Dee. Todos cantam a versão dos The Chords de “Sh-Boom” (que já tinha aparecido no primeiro episódio, quando Tic chega de autocarro) com grande ânimo: “Life could be a dream”. 

Para além da música nesta sequência em específico, este episódio ficou marcado por mais uma grande escolha da banda sonora, onde também se fizeram soar vozes como a de Nina Simone, com “I Am Blessed”, num momento em que Tic reflete sobre a sua vida, e também “Ready or Not”, numa escolha mais rebelde, quando Atticus e Letitia realizam o seu primeiro feitiço, para invocar Titus dos mortos, de modo a impedir o uso dos poderes de Christina. 


Gostava também de destacar a melhoria drástica dos efeitos visuais. Recordam-se de no segundo episódio termos tido sequências muito mal editadas e pouco realistas? Felizmente, a série melhorou muito neste aspeto e agora tivemos uma nova prova disso, já que toda a sequência final (e não só) requeria um uso excessivo dos tais efeitos, com Ji-Ah a usar os seus poderes, assim como o regresso das estranhas criaturas do primeiro episódio. 

No geral, este foi um episódio muito bom, mas tenho de dizer que o senti um tanto apressado. Quando dei por mim, faltavam quinze minutos para terminar (não apenas o episódio, mas a temporada!) e os protagonistas ainda estavam a preparar-se para o feitiço final, pelo que toda essa sequência foi demasiado rápida e frenética, não dando tempo para que consigamos desfrutar de tudo o que estamos a ver. Fora isso, admiro o facto de ter sido um final bruto, no sentido em que muitas personagens acarinhadas pelo público acabaram por morrer pelo bem da narrativa. 

Em breve poderão ler um artigo de opinião geral sobre a primeira temporada de Lovecraft Country aqui no blogue.
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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