domingo, 11 de outubro de 2020

"Lovecraft Country" - Episódio 8 ("Jig-a-Bobo") em análise

O oitavo episódio (estreado na segunda-feira passada na HBO Portugal) de Lovecraft Country, intitulado “Jig-a-Bobo”, trouxe um ritmo ainda mais frenético à série, tendo também sido o mais assustador – no pleno sentido da palavra – até agora. Desta vez, a protagonista foi a jovem Diana/Dee (interpretada por Jada Harris), a filha do tio George, e finalmente vimos o modo como esta lidou com a perda do pai, num episódio em que também foi vítima de uma maldição e onde vimos o regresso de Ji-Ah, para “assombrar” a paixão entre Atticus e Letitia.


Foi um episódio de emoções fortes, a começar com uma referência histórica a Emmett Louis Till, um jovem afro-americano que foi brutalmente assassinado, depois de ter sido acusado de ofender uma mulher branca. Começamos precisamente por aí, com uma “recriação” do que terá sido o seu velório e neste caso temos presentes os protagonistas da série, incluindo a própria Dee. Letitia refere que aquele não é um local onde Dee devesse estar, especialmente depois de tudo o que aconteceu: a morte do seu pai e o desaparecimento da sua mãe, Hippolyta, no episódio anterior

É, então, num momento de distração que esta desaparece, encontrando-se com uma dupla de polícias que lhe lançam uma “maldição”. A partir daí, esta é constantemente perseguida por uma dupla sinistra (ao estilo do Nós de Jordan Peele), que a aterroriza – e também a todos os que estão a ver o episódio, porque, honestamente, estas duas são das coisas mais bizarras que vi nos últimos tempos. Felizmente, já sabemos a força que reina naquela família e a determinado momento Dee consegue enfrentar o seu medo e fazer frente a Topsy e Bopsy. No entanto, Montrose depara-se com esta situação e apenas vê Dee, já que a dupla não é visível aos seus olhos. Quando a agarra, numa tentativa de a acalmar, vemos cortes nos seus pulsos, e agora é aguardar pelos próximos episódios para saber o resultado desta situação. É necessário dizer que Hippolyta tinha toda a razão quando no episódio anterior disse que a filha precisava dela, porque todos os outros ao seu redor parecem não lhe ter dado grande importância depois de a terem encontrado. 


Em “Jig-a-Bobo” tivemos também o regresso da acarinhada Ji-Ah, para desestabilizar a relação entre Atticus e Letitia (agora grávida!). O facto de Atticus nunca ter referido a mulher a Leti por si só já seria suficiente para tal efeito, mas é a própria Letitia que percebe que Ji-Ah só ali está porque o ama, ainda que Atticus, completamente alterado, tenha mostrado uma extrema arrogância perante o seu regresso. Ji-Ah, por sua vez, regressou para contar que Atticus está em perigo, já que previu a sua morte. 

Como tem sido habitual, aqui voltámos a ter momentos entre Ruby Baptiste e Christina Braithwhite, com a sua relação estranha, desta vez com direito a uma sex scene repugnante, com ambas transformadas noutras pessoas e com Ruby a “rebentar” pelo corpo de uma mulher branca. Na verdade, este foi um episódio bastante sangrento. Nos momentos destas duas destaco o diálogo em que Ruby liberta a sua raiva e afirma que gostava que Christina se sentisse como ela uma vez na vida, o que leva Braithwhite a contratar um grupo de homens para lhe fazer o que foi feito ao jovem que apareceu no início do episódio, numa sequência em que esta é maltratada, morta e depois renasce, sentindo-se, então, no papel de alguém que não terá escolhido ser. 


Por fim, o final do episódio trouxe de volta algo que os fãs desta série adoram: racistas a serem mortos! E é precisamente quando aquele que lançou a maldição a Dee tenta entrar na casa de Letitia e é impedido que Atticus consegue realizar o seu primeiro feitiço, soltando uma criatura estranha que destrói todos aqueles que estavam ali com más intenções. E o melhor é que terminamos com um cliffhanger em que Tic consegue dominar a criatura. 

Este foi um episódio muito dinâmico e com uma sábia realização por parte da própria criadora da série, Misha Green, que fez um excelente trabalho a entregar um tom mais intrigante a todos os cenários e personagens. Tivemos muita coisa a acontecer ao mesmo tempo e foi tudo muito empolgante, especialmente os momentos de perseguição da dupla sinistra. Arrisco-me a dizer que foi um dos melhores da série, que neste momento está apenas a dois capítulos do fim. E o penúltimo episódio chega já amanhã!
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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