quarta-feira, 14 de outubro de 2020

"Lovecraft Country" - Episódio 9 ("Rewind 1921") em análise

O penúltimo episódio de Lovecraft Country chegou à HBO Portugal na passada segunda-feira. Intitulado “Rewind 1921”, é precisamente para o ano de 1921 que nos leva, apresentando a infância e alguns acontecimentos importantes da vida de personagens que até agora ainda não tinham sido tão bem apresentadas e cujos objetivos talvez ainda não estivessem a ser totalmente compreendidos. O que se segue contem spoilers.


É na sequência do episódio anterior, e pegando na maldição de Dee, que Letitia, Atticus e Montrose veem como única solução, para salvar a rapariga, viajar até ao ano de 1921, onde sabem que se encontra o Livro dos Nomes, fundamental para convencer Christina a ajudá-los. Então, com o apoio de Hippolyta, agora regressada do futuro e das milhares de viagens que fez, estes conseguem visitar esse ano, em plena guerra em Tulsa, com vários tumultos raciais a acontecer e, pelas palavras de Montrose, onde se vive uma situação pior que a de guerra que Atticus conheceu. 

Montrose era, até agora, sem dúvida alguma, uma personagem sobre a qual ainda não tínhamos formado uma opinião em concreto, visto que enquanto pai, pelo que vimos, foi uma nulidade, mas as suas sequências “fora do armário” davam-lhe um certo interesse, mostrando que este afinal era uma caixinha de surpresas, ainda com muito por mostrar. E neste episódio exploramos precisamente um pouco mais da sua vida. Depois de uma discussão com Atticus, em que este esclarece que depois daquela missão vai cortar todas as suas ligações com o pai, conhecemos uma versão mais jovem de Montrose, com aquele que viria a ser a sua primeira paixão. Ou seja, em 1921, Montrose tinha um amigo, de quem gostava, mas com receio dos julgamentos da sociedade decidiu afastá-lo, inclusive chamando-lhe “maricas”, apenas para este ser morto logo de seguida. Com esta viagem no tempo, Montrose tem então a oportunidade de mudar o passado, de excluir o trauma da sua vida, de salvar o seu amigo. No entanto, isto poderia levar a um futuro diferente e um dos objetivos desta missão é muito transparente nesse sentido: ninguém pode fazer nada que possa alterar o futuro. E, neste caso, imaginando que ao salvar aquele rapaz Montrose ia ficar com ele, isso poderia impedir o seu casamento com Dora e, consequentemente, Atticus nunca teria nascido. É, então, aqui que vemos que Atticus acabou por ter uma grande influência na vida do pai (será mesmo pai? Levantou-se a questão de que o seu pai poderia ser, na verdade, o tio George), já que é este, nessa viagem no tempo, que o salva de ser morto nos tumultos. Isto mostra que esta viagem acabou por influenciar o futuro, no entanto foi num bom sentido, pelo menos por enquanto. Será que esta viagem ainda vai trazer repercussões no presente da narrativa? 


Para além dos momentos em 1921, este episódio não teve muito mais a acrescentar. Tivemos bons desenvolvimentos das personagens e conhecemos os antepassados dos protagonistas, que podem vir a ter uma certa influência nas suas decisões. Para além disso, foi um episódio visualmente interessante, pois levou-nos para uma década diferente e, nesse sentido, será importante referir os cenários distintos, assim como o guarda-roupa – destaco os momentos em que as personagens em 1921 olharam de lado para as roupas de Letitia, quase percebendo instantaneamente que ela não pertencia àquele tempo. 

Por fim, gostava também de referir alguns Easter Eggs neste episódio, no entanto desta vez são relacionados com outros momentos dentro da própria série e não tanto com momentos históricos. Então, regressando ao primeiro episódio, temos uma sequência em que Tic é salvo por um jogador de basebol, que lhe diz as palavras “I got you, kid”. Esta sequência é repetida agora, com Tic a pegar num taco de basebol e a salvar Montrose, repetindo essas mesmas palavras: “I got you, kid”. No entanto, ainda ficam dúvidas de quem seria o jogador de basebol no primeiro episódio, mas seguindo esta lógica, seria esse o filho de Atticus, que já sabemos que este viu? 


Este foi um episódio um tanto comovente, pois a história de Montrose era frágil e para este rever todos os momentos que viveu foi doloroso, o que foi magnificamente transmitido pelo ator Michael Kenneth Williams. Na minha opinião, não foi um episódio tão memorável quanto os anteriores, mas ainda assim teve uma boa realização por parte de Jeffrey Nachmanoff e a mudança de cenários também foi bem recebida. Agora é aguardar pelo último episódio desta temporada, que estreia já na próxima segunda-feira. Será que vamos terminar com um cliffhanger?
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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