quinta-feira, 8 de outubro de 2020

"Surfa a Tua Onda" em análise

A animação japonesa costuma marcar sempre presença nas competições de longas-metragens da MONSTRA e este ano não foi diferente, com a estreia do novo filme de Masaaki Yuasa, Surfa a Tua Onda, a levar-nos a conhecer uma história de amor diferente, entre uma surfista, Mukaimizu Hinako, e um bombeiro, Hinageshi Minato, que a salva de um prédio em chamas, mas que já a conhecia há muitos anos.


Masaaki Yuasa tem o costume de entregar sempre um tom sobrenatural e fantástico às suas histórias, como meio para alcançar aquilo que o ser humano desconhece e neste caso lida de perto com temas como a morte, abordando o nosso lado sensível, quando simplesmente não conseguimos superar a partida de alguém que nos é próximo. Aqui, a passagem entre o terreno e o sobrenatural usa a água como elemento de ligação, o que permite que a protagonista sofra menos e o que também reserva várias surpresas ao longo da narrativa. 

A ligação com o surf e o estilo de vida dos protagonistas entregam uma grande frescura ao filme, que tem uma animação muito colorida e dinâmica, especialmente nos momentos em que estes fazem o que mais gostam: estar na praia, a ver as ondas ou o pôr-do-sol. Quando estão juntos transmitem uma grande alegria ao espectador, o que contribui para que em momentos de tragédia também este sinta a tristeza que eles sentem, pois é fácil criar uma certa empatia com as personagens, visto que as suas histórias são aprofundadas.


Talvez pelo facto de uma das personagens só aparecer quando a outra canta uma determinada canção, é natural que a determinado momento se comece a sentir que o filme está a ficar repetitivo, talvez até demasiado longo, ainda que tenha um propósito inevitável. Felizmente, essa determinada canção tem uma certa graça e no final também nós a vamos cantarolar, ainda que com palavras inventadas. 

Surfa a Tua Onda poderá não ser o melhor trabalho de Masaaki Yuasa, mas é um filme que nos prende desde o primeiro minuto e que nos conquista o coração com uma enorme facilidade, tal é a beleza da sua história e o amor e união que esta transmite. Contém vários momentos que podem ser considerados previsíveis, mas ainda assim consegue surpreender-nos.

7/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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