sábado, 10 de outubro de 2020

"The Walking Dead" - T.10 Ep. 16 ("A Certain Doom") em análise

O suposto último episódio da décima temporada de The Walking Dead já era para ter chegado em Março, mas por ironia do destino a pandemia veio alterar os planos e provocar o encerramento temporário dos estúdios que fazem a edição da série, levando, consequentemente, a um adiamento deste episódio, que só estreou esta semana na FOX, depois de uma longa espera em que o mundo se tornou um tanto idêntico ao representado. Apesar do problema do adiamento, talvez como forma de recompensa, foram anunciados alguns episódios extra para esta temporada, fazendo com que este afinal não seja o último antes da chegada daquela que virá a ser a última temporada da famosa série de zombies. Atenção, o que se segue contém spoilers.


A Certain Doom foi o nome deste capítulo, que retomou o cliffhanger do anterior The Tower, trazendo, por fim, a grande batalha contra os Sussurradores, que já vinha a ser preparada há algum tempo. Começamos, então, já em clima de guerra, com todos preparados para as suas posições e armas prontas, num cenário que não é muito distinto do que já vimos noutros momentos da série. A maior diferença desta vez será talvez o facto de a guerra requerer uma infiltração entre os mortos, para, assim, chegar até aos Sussurradores que entre eles caminham. 

Não vou negar que aguardei por uma guerra, mais no sentido da palavra, e o que recebemos neste episódio não é propriamente isso, mas algo que talvez vá mais ao encontro do inimigo que enfrentamos desta vez. Ou seja, a “guerra” em si acontece, mas em pequenos confrontos, pois os protagonistas Carol, Daryl e companhia têm de caminhar por entre a horda e é quando dão de caras com algum Sussurrador que temos confrontos mais de perto, o que, claro, desperta sempre o interesse dos walkers e é aí que residem os maiores momentos de tensão do episódio, a juntar já à sensação de claustrofobia que temos enquanto vemos personagens que admiramos naquela situação de estarem entre aquilo que têm evitado desde o primeiro episódio. 


Claro que seria difícil entrar e sair deste grande plano sem perdas, mas desta vez a morte que vimos facilmente esqueceremos, pois a única vítima dos “bons” foi Beatrice de Oceanside, personagem que não teve desenvolvimentos suficientes para nos preocuparmos com ela e que, claramente, foi apenas ali colocada para servir de isco. Depois, claro, tivemos também outra morte, já com mais impacto, por ser algo que enquanto fãs já aguardávamos há muito tempo: a morte de Beta, que pode ter soado apressada, mas que foi violenta o suficiente para dizermos que foi merecido, especialmente tendo sido às mãos de Daryl. Lamento apenas que nos momentos que se seguem, em que este “revê” a sua vida, não tenham aproveitado para mostrar algo mais daquilo que foi antes do apocalipse, de modo a conhecermos um pouco melhor o seu segredo, já que pelo que percebemos este era um cantor bastante famoso – o que também é transmitido pela reação de Negan quando este perde a máscara. 

O final da guerra contra os Sussurradores levava também ao fim da horda, que foi planeado para atrair todos os walkers até um penhasco. No entanto, para concluir isso também alguém, neste caso Carol, deveria saltar, de modo a que todos a seguissem. Foram momentos de pânico para quem admira a personagem, mas, felizmente, aparece Lydia para a puxar e recordar de que ainda tem mais motivos para viver. Para terminar, temos um momento simbólico em que a própria filha de Alpha põe um fim à história da mãe e atira a sua máscara também para o penhasco, numa sequência magnificamente apresentada visualmente, com uma banda sonora a acompanhar que merece todos os destaques. 


Outro aspeto que é de salientar neste episódio foi o regresso de Maggie, com um “ninja” que fez uma entrada em grande a salvar o Padre Gabriel (agora já nos preocupamos com ele, não é verdade?). Maggie tem andado bem da vida, mas o seu regresso já era inevitável depois de esta ter tido conhecimento de tudo o que se estava a passar na sua antiga casa. E, assim sendo, tivemos um episódio cheio de reencontros, sendo o mais especial o desta com Judith, já muito mais crescida. 

Por fim, outro momento importante foi o já denominado crossover entre The Walking Dead e Star Wars! Brincadeiras à parte, tivemos finalmente mais ideias daquilo que poderá ser a Commonwealth, com um grupo de pessoas armadas a aparecer no local onde Eugene ia ter o seu tão antecipado encontro, com quem tinha comunicado. Tudo indica que nos próximos episódios vamos conhecer uma nova sociedade, muito mais avançada do que tudo o que já vimos até agora na série. 


Por enquanto, o 17ª episódio da temporada ainda não tem uma data de estreia anunciada e por isso resta-nos esperar, o que já estamos habituados a fazer. Felizmente, desta vez valeu a pena a espera, pois tivemos um episódio que talvez não ficasse bem como season finale, mas que trouxe um regresso poderoso das personagens que tão bem conhecemos, até porque não perdeu tempo com rodeios e foi direito aos seus objetivos.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

Sem comentários:

Publicar um comentário