domingo, 17 de janeiro de 2021

Primeiras impressões de "WandaVision" (Episódios 1 e 2)

Parece que passou uma eternidade desde a última vez que vimos a introdução com o logótipo da Marvel Studios a desenrolar-se à frente dos nossos olhos. Por esse mesmo motivo, os minutos iniciais do primeiro episódio de WandaVision, do Disney+, deixaram-me logo entusiasmada e com uma grande nostalgia. Só que desta vez temos um material diferente pela frente e não o típico filme de super-heróis que estamos acostumados a ver. Na verdade, por enquanto é até difícil explicar ao certo do que se trata esta nova aposta da Marvel, mas os dois primeiros episódios já dão uma certa ideia – que, pelo final, parece que vai ser alterada ao longo dos próximos capítulos. 


Depois dos trágicos acontecimentos de Vingadores: Infinity War (2018) e Vingadores: Endgame (2019), Wanda Maximoff, mais popularmente conhecida como Feiticeira Escarlate (interpretada por Elizabeth Olsen), parece não conseguir lidar com a sua grande perda e, aparentemente, cria vários cenários perfeitos, nos quais consegue ter uma vida feliz ao lado do seu amado Visão (Paul Bettany). 

No primeiro episódio, escrito pelo criador da série Jac Schaeffer e realizado por Matt Shakman, viajamos no tempo e somos levados para, aparentemente, os anos 50, onde Wanda e Visão, “recém-casados” estão instalados na sua casa e relativamente bem-adaptados ao modo de vida daquele ano – mas nunca perdendo os seus poderes, aos quais recorrem com muita frequência, o que por vezes complica a tentativa de serem normais. É, então, a determinado dia que o chefe de Visão e a sua esposa vão jantar a casa de Wanda, que, sem saber muito bem o que fazer, tenta arranjar um jantar à pressa, o que leva a uma enorme confusão. Lá pelo meio somos ainda introduzidos a Agnes (Kathryn Hahn), a vizinha coscuvilheira e muito prática, que também entrega uma grande dose de humor, especialmente com as suas críticas indiretas às donas de casa. 


Já no segundo episódio, mudam-se os cenários, mas não os tempos e, numa nova tentativa de se adaptarem melhor ao meio que os rodeia, Wanda e Visão participam num concurso de talentos que é celebrado pela comunidade. E, claro, o seu número contém magia, mas “magia real, que é falsa”. É, então, muito engraçado ver a preparação do espetáculo, com o casal a criar um truque de magia claramente falso e fácil de decifrar. No entanto, tudo piora quando Visão mastiga uma pastilha e, acidentalmente, a engole, levando ao mau funcionamento do seu sistema, que, consequentemente, quase arruína o concurso de talentos – ou, verdade seja dita, melhora, já que este parece esquecer-se de que tem de esconder os seus verdadeiros poderes! 

Vamos lá agora às primeiras impressões de WandaVision. Pessoalmente, não sabia muito bem o que esperar da série, mas assim como já se tinha dito que iria ser, surge agora num formato ao estilo de sitcom, contendo tudo o que isso implica, incluindo os risos do público (as famosas “gargalhadas enlatadas”) cada vez que há uma piada a ser dita. É, claro, algo diferente no mundo dos super-heróis, pelo menos quando pensamos nas últimas grandes produções, seja da própria Marvel ou até da DC. É também algo arriscado, até porque o humor da Marvel tanto cai nas graças do público como, muitas vezes, é criticado por aparecer nas piores alturas. Pessoalmente, durante muitos anos preferi a DC precisamente pelo seu tom mais negro, mas a partir do momento em que comecei a aderir às piadas da Marvel já não vivo sem elas e esta série é o culminar disso tudo, pois estes dois episódios iniciais foram quase comédia do início ao fim – com a exceção para alguns momentos mais tensos, até mesmo assustadores, que vão de certeza ter uma grande influência no decorrer da narrativa e, essencialmente, nas decisões e reflexões de Wanda Maximoff. 


Os episódios são pensados ao mais ínfimo pormenor, de modo a retratar as décadas em que se situam através de cenários trabalhados. Para além disso, é interessante destacar também as tão populares televendas, que aqui parecem ter o propósito de realçar através de Easter Eggs alguns elementos importantes da MCU, que estão diretamente ligados a Wanda. Também é preciso dizer que no segundo episódio começamos a perceber que se calhar o mundo perfeito da personagem vai acabar por se desmoronar, visto que a realidade continua a persegui-la, mesmo quando esta a nega. 

Assim como acontecia com os episódios de The Mandalorian, também do Disney+, estes dois iniciais tiveram a duração de cerca de 30 minutos cada e sente-se que passaram a voar, nomeadamente pelo ritmo acelerado e dinâmico com que decorrem. No final, é inevitável sentir que poderiam ter mais alguns minutos, mas simplesmente porque são tão divertidos de se ver que ficamos logo com vontade de ver o próximo capítulo – e agora temos de esperar uma semana para que isso aconteça. 


O resultado destes dois primeiros episódios de WandaVision deixou-me muito curiosa para o que vai acontecer e também ansiosa por ter mais momentos cómicos entre Wanda e Vision. Foram dois episódios entusiasmantes e diferentes do que é habitual. Percebe-se que ainda estão muitas cartadas na manga e há o pressentimento de que em breve o jogo pode mudar de rumo e talvez a série deixe de ter o tom tão leve com que se está a estrear. Resta-nos, então, esperar para descobrir quais são as surpresas que nos estão reservadas.
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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