quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Maratona Ghibli: "Kiki - A Aprendiz de Feiticeira" (1989)

Hoje na nossa maratona de Studio Ghibli voltamos a ter um dos filmes mais populares da carreira de Hayao Miyazaki: Kiki – A Aprendiz de Feiticeira ou Majo no Takkyûbin (1989), que é também um dos mais alegres e divertidos. Aqui seguimos as aventuras da pequena bruxinha Kiki, que de modo a praticar os seus feitiços e o seu voo de vassoura muda-se para uma cidade, com o seu fiel companheiro Jiji (um gato preto), onde aceita um trabalho a fazer entregas ao domicílio.


A premissa é muito simples e só por aí entende-se que esta é uma longa-metragem mais leve que algumas outras feitas pelo estúdio. É precisamente na simplicidade que se encontra a sua magia, já que acompanhar as aventuras da jovem Kiki é, por si só, delicioso. Fora isso, de facto pouco acontece aqui, especialmente quando nos apercebemos que não há um vilão, numa prova de que nem sempre é preciso haver um confronto entre heróis e vilões para um filme ter uma boa história. Aliás, quando pensamos nisto é curioso pensar que a maioria dos filmes do Studio Ghibli (até da animação oriental no geral) não têm vilões, apenas protagonistas bem-criados e com excelentes propósitos. Neste caso, Kiki tem o objetivo de melhorar os seus poderes e nós torcemos para que ela o consiga, o que nos entristece quando no fim do segundo ato esta sente que está a perder a sua magia, até encontrar novas motivações.

Visualmente, sente-se que este filme também apresenta um estilo ligeiramente diferente dos outros já aqui abordados, visto que para cenário pega numa cidade à beira-mar na Europa, em vez das frequentes vilas no meio do campo. Mesmo assim, é um cenário belo, fresco e, claro, extremamente detalhado, que nos deixa com vontade de viajar para dentro da animação, especialmente se tivéssemos a oportunidade de nos juntarmos a Kiki e ao seu amigo Tombo, que nos tempos livres tenta arranjar maneira de conseguir voar na sua bicicleta – pode não ter uma vassoura e as capacidades de Kiki, mas tem ambição e sonhos por conquistar.


O resultado de Kiki – A Aprendiz de Feiticeira é uma alegre aventura que nos faz rir e que também nos consegue emocionar, ao aquecer-nos o coração com uma história simples, mas que também nos mostra a coragem que é necessária para acreditarmos em nós mesmos e nas nossas capacidades. No caso de Kiki, muitas vezes esta é vencida pelas suas dúvidas, o que faz com que nem sempre consiga usar os seus poderes da melhor maneira; mas quando, finalmente, confia em si mesma é capaz de fazer coisas extraordinárias. E é essa a principal mensagem desta pequena pérola do Studio Ghibli, fazendo com que seja um filme ideal para toda a família.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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